Deep Blue


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Life Gods

(Eu volto para falar a respeito disso. Prometo).

 

N’kukluk’mba .. Oxalá
Odin .. Manitoo .. Xuedeh
Aggayun .. Göt .. Baoh
Allah
Tupan .. N’Olorun .. Tamnarah
Golorud .. Ualereh
Zambyn .. Zeus .. Ruwatah
Iesu .. Jah .. Shalam-Tzieh
Amaterasu .. Bathalah
Mandarah .. Unguleveh
Khrisnha .. Efozu
Amma
Yambah .. Oshun .. Asdulai
Kalah .. Okut .. Nyaambeh
Aquaan .. Akuah
Jesus .. Rah .. Yelen-Dayeh
Tentei .. Dio
Asher .. Dieu .. Dios .. Ymanah
Kami .. So-Ko
Lubnah .. Theos .. Yallah
Maomeh .. Juremah
Shiva .. Shangoh
Butzimmy .. Yumallad
Yaoh
Dumnezteu .. Banarah
Gaya .. Munetoh
Aton .. Amon .. Iemanjá
Erê .. Yaoh
Iansã .. Adonay
Brahma .. Gedepoh
Tzikem-Boo .. Atzilah
Yaoh
D’Olodum .. Yamanah
Oxóssi .. Shido
Buda .. Gee .. Jeová
Erê .. Yaoh

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Eu sou ecochata.

Há quatro dias, eu testemunhei um protesto na porta do Pão-de-Açúcar contra o fim das sacolinhas plásticas. Dezenas de desocupados exigiam o direito de continuar contribuindo para o aquecimento global. Desocupados, sim, porque quem tem tempo de passar horas na frente de um supermercado, em plena segunda-feira, implorando para não ser obrigado a tomar uma atitude ecológica, só pode ser vagabundo. Não peço perdão pelo termo utilizado, se você que está lendo esse texto é uma das pessoas que estava lá, pois sendo este o caso, você é mais uma pessoa sem consciência num mundo de poluição e riscos de destruição permanente crescentes. Posso ainda não ser o exemplo de proteção ambiental a ser seguido. Cometo erros. Aqui dentro do meu armário do meu local de trabalho, tenho um tubo de inseticida “Mortein Power Guard Mata Baratas – Paralisa e Mata. Continua matando baratas por 6 semanas”. Aerosol, eu sei. O mais ecológico seria dar um pisão no monstro de Kakfa. Mais ecológico ainda, seria retirá-la delicadamente com uma folhinha e devolvê-la à natureza. Eu faço isso com lagartixas, besouros, taturanas, aranhas e borboletas, juro. Matar baratas com inseticida é uma atitude antiecológica, eu sei. Estou apenas querendo reforçar a seguinte questão: Eu não sou hipócrita, estou longe de atingir a perfeição de um agente do Greenpeace, mas mesmo cometendo alguns erros, eu ainda tento fazer a minha parte. Hoje, por exemplo, fui ao Pão de Açúcar comprar o iogurte da minha dieta, banana, granola orgânica e capuccino light. Eu esqueci de levar a minha sacolinha ecológica que mantenho dentro do meu armário (perto do inseticida). Eu comprei outra. Sei que muita gente passa bastante dificuldade, eu mesma não estou nadando no dinheiro, mas 1,99 não me fariam passar fome, portanto eu comprei outra sacolinha, sim. Não morri por causa disso. Sei que outras atitudes deveriam ser tomadas pelo governo, e sei que políticos não pensam somente na questão ambiental, mas sabendo que isso pode contribuir pelo menos um pouquinho com o meio ambiente, eu sou eco chata e mordi a ideia. Um conhecido no Facebook levantou uma questão interessante: E os milhões de papeis que acabam sujando as ruas com propagandas políticas nos dias de eleição? Concordo plenamente e assino embaixo, mas isso não me impede de tomar uma atitude legal pelo meu planeta, quando está ao meu alcance, afinal, que tipo de planeta eu quero deixar para os meus filhos, netos e bisnetos?

Acredito que cada um poderia tomar algumas pequenas atitudes para contribuir, como por exemplo:

– Não jogar lixo nas ruas. Acho um absurdo. Mesmo que seja um papel de bala. Custa jogar no lixo? Quando não tem lixo disponível, eu coloco no bolso. O mesmo vale para chicletes. Poucas pessoas sabem que um mísero chicletinho inocente pode matar um pássaro. Você sabia disso? O ideal é embrulhar o chiclete em um pedaço de papel e jogá-lo no lixo.

-Reciclar. Sério, não custa nada separar o lixo orgânico do reciclável. E se você já faz isso, não esqueça de lavar as embalagens recicláveis. Não adianta reciclar um copinho de iogurte com restos de produto orgânico dentro dele.

-Não sujar as praias. Isso é básico, mas vamos lá: você sabia que um saquinho no mar pode ficar enroscado no focinho de um golfinho e matá-lo por sufocamento?

-Quando passear com seu cachorro na rua, limpe o que ele sujar na calçada.

-Não fume.

-Ande a pé quando puder.

-Ensine as crianças a importância de tomar atitudes ecológicas.

-Consuma produtos orgânicos quando puder.

-Proteja os animais sempre que possível.

-E finalmente, visite lugares naturais sempre que tiver uma oportunidade. Experiências assim, nos inspiram a tomar atitudes ecológicas.

Acredito que somos responsáveis por esse Pálido Ponto Azul, no terceiro degrau do Sistema Solar. Não sabemos ainda se há vida mais inteligente que nós por aí, que irá nos salvar se a coisa ficar feia. Então esse planeta está inteiramente sob a nossa responsabilidade. Reclamar de atitudes do governo não ajuda em nada e não custa nada limpar a sujeira que deixamos por aí, sempre. Sou fã do Al Gore,  ecochata, sim,  e enquanto morar por aqui, continuarei sendo.


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O cansativo “Pão e Circo”

Cansei de assuntos fúteis na TV e Internet: BBB, Luiza do Canadá, “o que aconteceu na novela ontem”, pessoas se expondo na TV brasileira que insiste em se transformar em lixo cada vez mais. Um meio de comunicação tão importante que poderia ser usado para informar, levantar o interesse para assuntos realmente importantes do mundo, não faz mais nada do que contribuir para que as pessoas tenham cada vez mais preguiça de pensar no que é realmente importante nesse mundo, faz com que vivam alienadas e preocupadas com a vida das “celebridades”. Tenho medo dos novos “formadores de opinião” que vemos por aí. Acontece que um bando de gente fútil que resolveu se trancar por livre e espontânea vontade em uma casa é mais importante do que a criança na rua que passou a noite na Cracolândia procurando a última pedrinha de crack que caiu no chão. Todo mundo fala de Luiza, estupro ao vivo na Rede Globo, mas ninguém está muito preocupado com os problemas da vida real da sociedade. Não discutimos mais sobre o que seria a solução. Somos muitos, juntos teríamos força. O que será que poderíamos fazer se nos uníssemos em prol de uma causa verdadeiramente nobre? Mas estamos preocupados só com a nosso próprio bem estar e diversão. Pão e Circo… Somos todos muito egoístas e mimados.


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Pra lá de Bagdá

Você – professor – percebe que mal voltou de férias e já pegou o trem bala quando resolve elaborar a atividade inteira de uma das aulas do dia seguinte no chuveiro. Foi mais ou menos assim: cheguei em casa revoltada por ter pago trinta reais do meu salário fabricado quase no tapa no estacionamento, de TPM, fiz um wrap meio light, tomei um copo de leite e fui tomar banho. Claro que uma pessoa que tem trabalho das sete às vinte e duas não teve tempo de lavar a camiseta do uniforme, e portanto pendurei cuidadosamente a camiseta no corrimão para reciclagem. Que vergonha. Não tenho forças para acordar às três horas da manhã e lavar a minha roupa, o que significa que o dia que “o sonho da casa própria casa se concretizar” (baú do Silvio? Portas da Esperança? De onde veio essa expressão mesmo), serei uma péssima dona de casa. Graças a Deus, porque eu não nasci pra isso mesmo. Mesmo com a fome de leão que estava, por não ter passado as últimas semanas como de costume – preenchendo o meu vazio interior com chocolate – fiz a caridade de dividir o meu wrap light, com peito de peru e requeijão light com o ser marrom de vão livre (daschund) que abanava o rabo com os seus olhos magros de uma cachorra anêmica (é assim que ela se vê. Ela é gorda). Logo em seguida, peguei o DVD do filme Up (o melhor filme Disney-Pixar) para preparar a atividade para a minha aluna. E como alguém que não fez mais nada além de trabalhar das sete às vinte e duas, tomei banho com o meu laptop virtual cerebral ligado, e digitei toda a atividade na minha cabeça. É claro que amanhã eu vou descobrir que meu HD com capacidade 1,5 (Tico e Te…) deu aquele pau e toda a inspiração para trabalhar em cima da história de Sr. Fredericksen, Russel e Dug – o cão mais simpático de desenhos animados de todos os tempos – foi pelo ralo enquanto eu tomava banho. Não faz mal, com um pouco de sorte e esforço, ela vai voltar.

Ah, sim, os livros: terminei de ler Através do Espelho de Jostein Gaarder. É uma viagem maravilhosa na história do “por que?”, “para que?” e “será?”. Vale a pena. É um daqueles livros que você lê bem rapidinho e se apaixona pela história, da mesma forma como “O Velho e o Mar”. Agora tenho uma fila boa e vai rolar uma disputa para saber quem vem primeiro, mas acredito que será “Não contem com o  fim do livro”, de Humberto Eco. Os outros da fila são “Flush, memórias de um cão”, de Virginia Woolf e “Em defesa de Israel” de Alan Dershowitz. Mas se você tiver alguma outra sugestão, por favor, é só colocar aqui. Será muito bem vinda.

São treze minutos do dia 19 de janeiro. Daqui a poucas horas eu levanto e reinicio tudo. Então é preciso tentar desligar os HDs aqui – do laptop e o meu próprio HD porque estou pra lá de Bagdá. E falando nisso, você leu “De Bagdá, com muito amor” de Jay Kopelman?


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Um pequeno texto para todos vocês

Uma onda de boas vibrações está passando. Já vejo efeitos em tantas pessoas e sei que muitos ainda serão gentilmente atingidos por vários eventos consecutivos de milhares de coisas boas. Para você que passou aqui e leu esse pequeno texto, não importa se nos conhecemos ou não, que a sua vida se torne, a partir de hoje, um mar de vibrações positivas e sonhos realizados! Que assim seja!


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Orfã do livro

É assim que eu me sinto quando termino um livro. É engraçado, é como se despedir de um velho amigo. Ler um livro é como ter um amigo disponível vinte e quatro horas por dia o acompanhando. Mas o legal desse amigo é que ele só abre a boca quando você manda. Gosto da ideia da história de escapar para uma realidade paralela. E é interessante o efeito que alguns livros têm em mim. Existem histórias que a gente leva por alguns dias. Li alguns livros que eu jamais esqueci, outros que detestei. No entanto, a minha lista de livros lidos não chega aos pés da lista da minha mãe. Minha mãe é uma máquina de leitura invejável. Ela raramente larga um livro no meio, mesmo que o enredo tenha se tornado um objeto de tortura da Idade Média. Eu não. Eu largo mesmo. Sem dó. Quando percebo que estou pensando nos meus planos para o futuro, em chocolate, ou travesseiro enquanto estou lendo um livro, é sinal que o enredo não me cativou. E sem a menor dó, eu abandono. A ideia é fazer uma lista, mas não vai ser fácil porque não vou lembrar de todos os títulos e autores com facilidade, então vou tentar categorizá-los por tema ou autores.

  •  Infanto-juvenil:

“O Pequeno Príncipe”

  •  Arábia Saudita e a religião Muçulmana

“Princesa”, “As filhas da Princesa”.

  •  Filosofia

“Vá aonde seu coração mandar”, “Ilusões”, “A elegância do ouriço”, “O Mundo de Sofia”

  • Holocausto:

“O diário de Anne Frank”, “A menina que roubava livros”, “The boy in the stripped pajamas”.

  • Dan Brown

“O Código DaVinci”, “Digital Fortress”, “Ponto de Impacto”, “Anjos e Demônios”.

  • Cães:

“Marley e Eu”, “Da dificuldade de ser cão”, “A arte de correr na chuva”, “White Fang” (“Caninos Brancos”), “De Bagdá, com muito amor”.

  • Histórias Verídicas:

“O Albatroz”, “No Ar Rarefeito”.

  • Suspense:

“The Testament”, “O Andarilho das Estrelas”

  • Marian Keyes:

“Melancia”, “Casório!?”, “Férias!”, “Los Angeles”, “Anybody Out There?”, “This Charming Man”, “Um Best Seller para chamar de meu”.

  • Humor:

“O diário de um magro” (Mário Prata)

  • Literatura nacional:

“Vidas Secas”, “Dom Casmurro”

  • Astronomia:

“Poeira das Estrelas” (Marvelo Gleiser), “Bang! The Complete History of the Universe” (Brian May)

  • Exotérico:                                                                                                                                                    “O Alquimista” (Paulo Coelho)
  • Biografia: “Depois daquela viagem”

A lista não está completa, porém minha memória e meu cansaço não permitem que eu vá além disso. Não hoje. Atualizarei esse texto assim que os neurônios voltarem a realizar aquilo que deveriam realizar vinte e quatro horas por dia… sinapse. Por enquanto, fica essa lista incompleta (necessito realizar algumas pesquisas relacionadas aos respectivos autores e lembrar de livros cujas histórias tenho cristalinas em minha mente, porém não o título).

Essas listas são interessantes, nos ajudam a trocar ideias, discutir enredos e faz surgir assunto para o seu blog depois de um dia de trabalho com sensação de rolo compressor, enquanto não surge nada mais profundo, como por exemplo, a lista de filmes assistidos nos últimos trinta e três anos. Mas vou poupá-los do sonífero.

Aos meus leitores, peço, por gentileza, comentários com seus livros preferidos e seus temas. É sempre bom trocarmos ideia, aumentarmos a biblioteca e o conhecimento.

Na minha fila de livros, eu tenho:

“Através do espelho” (Jostein Gaarder)

“Flush – Memórias de um cão” (Virgínia Woolf)

“Não contem com o fim do livro” (Umberto Eco, Jean-Claude Carrière)

“Em defesa de Israel” (Alan Dershowitz)

Todos indicados pela minha mãe. E claro, minha próxima aquisição será “I Am Ozzy”, do próprio Prince of Darkness. Leitura cem por cento recreativa, uma vez que não seja possível levar a sério um senhor britânico que usa mais lápis no olho do que eu.


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Sea World, Florida e a baleia assassina

O nome dele é Tilikum. E essa é uma história que eu nunca engoli.

Acredito que poucas pessoas sabiam o nome verdadeiro dele até a bomba estourar em fevereiro de 2010. Acredito até que poucas pessoas sabiam que ele era macho. Eu não sabia. Como falantes da Língua Portuguesa, atribuímos gêneros aos substantivos e às vezes esquecemos que “baleia” é um substantivo feminino, mas baleia é mamífero, portanto, há o macho e a fêmea. A mesma coisa (às vezes de forma inversa) acontece com outras espécies: golfinho, arara, papagaio, tubarão – para tudo isso há ambos os gêneros. Tudo isso só para ressaltar essa curiosidade: A baleia Tilikum é um menino.

Eu tive a sorte de ver Tilikum ao vivo três vezes na minha vida. Nos anos 90, viajei para o exterior várias vezes. Meus pais nunca foram ricos, e as viagens que fizemos lhes custou muito esforço e horas extras no trabalho. Sou muito grata a eles por ter tido oportunidades de conhecer lugares inesquecíveis. E assim, eu me apaixonei por cidades maravilhosas da Europa e lugares fantásticos dos Estados Unidos. Conheci poucos lugares, mas o meu preferido ainda é a Flórida. Todos os parques dentro e fora do Complexo Disney são realmente mágicos. É difícil eleger o meu favorito. Não vou ao exterior há treze anos, mas as lembranças ainda são muito claras. Poderia escrever dezenas de textos descrevendo cada pedacinho de magia da Flórida, por exemplo, mas hoje eu gostaria de escrever sobre um parque específico: O Sea World.

Eu não conheço a história do Sea World por pura preguiça, mas sei que eles não estão no lado negro da força. Acredito que a ideia de seus criadores tenha sido proporcionar ao mundo, uma pequena amostra do mar, e dar uma oportunidade fantástica aos seus visitantes: um contato com criaturas magníficas como nunca antes imaginado. E eles acertaram a fórmula na veia. Foi somente no Sea World que eu tive a sorte de tocar um golfinho e ver um urso polar – animal que admiro desde muito pequena – tão perto. Lembro que essa experiência me custou amígdalas inflamadas. O local em que o urso ficava era extremamente gelado, mesmo “do lado de cá” do vidro, mas o dia em que vivenciei a fantástica experiência de ver esse animal tão lindo de perto, pouco me importei de sentir gelados até os ossos devido à temperatura do local, de tanto encantamento. Eu brinquei com os leões marinhos, e me diverti ao descobrir o quanto ficam bravos e o gesto divertidíssimo que fazem com a cabeça quando te pedem que lhes atirem o peixinho que você tem nas mãos. Os pingüins são lindos e os tubarões e as arraias, impressionantes! Vamos então falar da Shamu, a estrela do Sea World. Ela é o símbolo do logo do parque e dotada de uma inteligência nada subestimável. Todos os visitantes do Sea World sempre aguardaram o momento de assistir ao seu show com muita ansiedade!

A magia de todo o parque fez com que eu ficasse totalmente… cega. E egoísta. E envergonhada, também. Como pude ser tão covarde e permitir que meus pais pagassem para que eu visse toda essa palhaçada de perto? Como eu não percebi que eu fiz desses animais, verdadeiros palhaços de circo para a minha própria alegria e entretenimento? Quem disse que temos o direito de transportar um urso polar – animal em perigo de extinção – do Ártico, trazê-lo para dentro de um cativeiro gelado em plena faixa tropical do planeta Terra achar que está tudo bem? Um golfinho é capaz de mergulhar até 280 metros nos oceanos. Vocês sabiam disso? DUZENTOS E OITENTA METROS! Qual é a profundidade do tanque mais fundo do Sea World? Sei que está longe de chegar a 280 m. E os pengüins da Antártida? Como chegaram á Flórida? Sob quais condições? Esses bichos são submetidos a estresse? Imagina se você fosse uma baleia, sendo mais específica, imagina se você fosse a Shamu, o Tilikum aqui em questão. Onde você nasceu? Oras, se nasceu em cativeiro, não me diga que não há problema algum mantê-lo numa piscina (tanque). Você não gostaria de ser mantido no seu apartamento para o resto de sua vida, certo? Você poderia até ganhar um chocolatinho da sua mamãe adotiva toda vez que fizesse gracinha para as visitas ou a lição de casa direitinho, não é mesmo? Acho que fatalmente, você acabaria um dia, mordendo a mamãe. E mordendo feio, mesmo se ela te tratasse bem. Afinal, vocês são de espécies diferentes e sendo irracional, não precisa justificar porquê a mordeu. Mas ela precisa justificar porquê o tenha prendido.

Tilikum matou sua fiel treinadora, essa que você vê na foto, no começo desse texto. Vê algum sinal de agressão por parte da treinadora na foto? Não. Pelo contrário, vê amor puro. Parte meu coração em mil pedaços ao pensar o que essa moça sofreu nos últimos minutos de vida . Tilikum era seu filhote, seu bicho de estimação. Estimação vem da palavra estimar, estima, afeto, carinho. E ela foi traída, atacada pelas costas (na verdade, Tilikum a puxou pelo rabo de cavalo enquanto ela estava de pé, do lado de fora da água) e agredida até a morte. De quem é a culpa? Do Tilikum, a baleia assassina? Baleia Assassina. Nenhum exemplar dessa espécie se apresentou ao Homem dessa forma: “Oi, eu sou a Baleia Assassina.” Nós os chamamos assim, por observar seu comportamento agressivo na natureza. Eles são agressivos mesmo. Certa vez, vi no National Geographic que o nível de agressividade da orca ( Orcinus orca ) supera o do Tubarão Branco, o peixinho mais temido dos mares. As orcas são “cruéis”. Nadam em bandos e brincam com com suas presas, jogando-as umas às outras. Eu vi orcas fazendo isso com focas. Não é bonito, mas não é culpa delas – é a natureza. Mas enfim, de quem é a culpa? Do próprio Tilikum, o exemplar da espécie em cativeiro, ou do exemplar falante de uma espécie bípede que o colocou lá?

Portanto, como uma pessoa completamente borderline, peço desculpas às focas, golfinhos, orcas, leões marinhos, tubarões, e tantos outros bichos para os quais sorri em liberdade, do lado de fora do cativeiro para minha própria diversão. Sei muito bem que vocês não estão aí para isso. Vocês não cometeram nenhum crime que justificasse qualquer tipo de confinamento. Me perdoem. Não, vocês não estão aí para a diversão humana. Eu sei disso. Vocês merecem o mar, a Savana, o Ártico gelado, a Antártida deserta, o Saara, as florestas, os rios, etc. E que eu jamais permita que meu instinto pão e circo renasça, fazendo com que eu julgue normal ver qualquer espécie dentro de um tanque, de uma caixa de vidro ou atrás das grades, pois ultimamente a conclusão que tiro de tudo isso é que o único bicho que merece qualquer confinamento para que todos os outros se mantenham protegidos, é aquele bicho bípede que se diz evoluído, e que se acha Deus o suficiente para ter controle sobre todas as outras criaturas do mundo. Darwin deixou bem claro: somos adaptados. E os mais adaptados sobrevivem. Evoluídos? Estamos bem longe disso.