Deep Blue


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O processo de aceitação

Encontrei esse texto no blog da minha amiga, Narjara, e caiu muito bem para o momento que estou vivendo:

“In a great storm the wise bird returns to her nest and waits patiently. This is a time of difficult and dangerous conditions. You should not be seduced into struggling, striving, or seeking solutions through aggressive action. Success is met only by waiting modestly for the guidance of the Creative. Trying times are a test of our integrity and commitment to proper principles. The ordinary person reacts to challenges with fear, anger, mistrust of fate, and a stubborn desire to strike out and eliminate difficulty once and for all. While the temptation to act in this way can be great, to do so can only lead to misfortune and the loss of hard-won ground. The way of the superior person faced with difficulty is that of nonaction rather than action. She does not strive after recognition or resolution or attempt to gain a higher position by conquering others. Instead, she retreats into her center and cultivates humility, patience, and conscientiousness. On the path of acceptance, self-inquiry, and self-improvement we obtain the aid of the Creative and meet with success after the storm has passed.”

O texto diz que o sábio cessa a luta e espera pacientemente. Acho que tenho lutado demais. Na verdade, essa luta é mais interna do que externa, e como toda luta interna, acabamos machucados. Como disse uma amiga, aqui mesmo no meu blog, “estranho seria se eu não me sentisse amputada pela falta do meu próprio filho.” Mas essa angústia e luta inútil só tem me mutilado ainda mais. Acho que chegou a hora de parar um pouco e deixá-lo seguir o caminho que desejou, afinal, desde o começo eu fiz grande esforço para me conformar com o fato de que um dia isso poderia acontecer, um dia ele escolheria o caminho dele. Eu só não imaginava que ocorreria tão cedo. O processo de aceitação nos leva à um sentimento de paz, ao fim da tempestade. Vou tentar. Acho que preciso dessa paz.

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Tempo de refletir

A insônia dessa véspera de quarta-feira de Cinzas nem é culpa da ausência do meu filho. É culpa da sonoterapia a qual me submeti nos últimos quatro dias de feriado. De uma forma geral, eliminando o fato da falta que sinto dele, foi muito bom. Revi amigos, passei com quem amo, comi muito chocolate sem culpa e dormimos como dois ursos do Ártico Sob Aquecimento Global, com o ventilador ligado. Tudo que fazemos ao lado de quem amamos é especial. Sou grata por ter uma pessoa que é meu companheiro há mais de sete anos e meio. Solidão é uma palavra quase inexistente na minha vida desde o momento em que nos conhecemos e agradeço a Deus por isso (aquele Deus, o Universal, com quem recentemente tenho tentado estabelecer algum tipo de relação). Porém, posso afirmar que a ausência da criança de dez anos que morou no meu útero por nove meses, ainda me machuca. Não da mesma forma como machucou há três semanas, mas dói, sim. É difícil compreender o motivo pelo qual ele escolheu trilhar por outros caminhos, mas procuro respeitar sua decisão, uma vez que é justa, partindo do ponto de vista dele. Ele simplesmente tem o direito de ter escolhido morar com o pai, por mais que a ausência dele torne meus dias estranhos, eu preciso aceitar. Acredito que toda essa reviravolta envolvendo minha busca por Deus não possa ter aparecido em momento mais oportuno que esse. Esse furacão interno está acabando e aos poucos, produz uma certa serenidade. Em primeiro lugar, decidi que é preciso livrar-me da culpa. Eu não quis isso. Eu não pedi que ele fosse embora. Ele sabe o quanto eu queria que ele estivesse comigo, e acho que fui bem clara ao expressar a faz falta aqui, diariamente. Ele sabe que pode voltar se quiser, portanto, a minha culpa deve acabar de forma definitiva em breve, uma vez que resolvi tirar de mim a responsabilidade por essa mudança. Uma vez que tiramos das pessoas as algemas que as prende em nós, termina o carma, o peso, a mágoa. A saudade diária é algo que nunca vou me livrar, mas é necessário aliviar do peso da responsabilidade por essa mudança para seguir em frente. Não importa o que acontecer daqui pra frente, existe algo imutável nessa história toda. Ele sempre será o meu filho. O que posso fazer agora é muito pouco: pedir luz para guiá-lo nessa decisão, e acima de tudo, proteção, pois toda mãe se sente completamente impotente longe do filho. Isso é algo que amedronta todas as mães do mundo, ainda mais quando seus filhos são ainda crianças. Ele sabe fazer muitas coisas sozinho, mas sei que não estou ao lado dele o tempo todo – agora menos tempo ainda – para lhe mostrar o caminho do bem, do certo, do justo e principalmente, o que julgo mais seguro. Sei que ele vai aprender centenas de coisas sem a minha orientação, ora por orientação de outras pessoas quando eu não tiver presente, ora sozinho. É claro que sinto meu papel invadido, é claro que tenho a sensação constante de ser mutilada, porém, uma vez que foi esse o caminho pelo qual ele mesmo resolveu trilhar, não há muito o que eu possa fazer, a não ser guiá-lo à distância e confiar nas energias do Universo. Toda proteção do mundo para você, vinte e quatro horas por dia, meu pequeno. Cuide-se. Estarei aqui, sempre que precisar.