Deep Blue


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Domando o leãozinho dentro de mim

Está difícil escrever ultimamente. Quando eu tenho um assunto, não tenho tempo, quando tenho tempo, não tenho assunto, e o assunto que surgiu quando eu tinha tempo foi embora. Meus dias têm sido com o furador e marteladas do vizinho na minha orelha. Bastante desafiador para quem está pensando em buscar o tal do Nirvana. Dizem que estão preparando o lugar para abrir um Subway, logo aqui ao lado da escola onde trabalho, o que é bastante esquisito pela falta de espaço. Com Subway ou não, só queria que isso acabasse logo!

Os últimos dias têm sido um pouco tensos, com pessoas se estranhando, pessoas me estranhando e eu adotei essa postura estranha que nunca antes aconteceu na minha vida. Minhas tentativas de controle das minhas emoções mais agressivas têm surtido efeito positivo em mim, e fico feliz em conseguir atingir isso. Domar a mim mesma é uma verdadeira vitória. Geralmente, sou o tipo de pessoa que tende a ter um surto sair gritando todos os palavrões que eu conheço e mais alguns inventados, mas acho que essa fase que só durou 33 anos está acabando. Acredito que esse seja o motivo principal pelo qual as pessoas andam me estranhando, e eu tenho que compreendê-las, afinal, depois de terem passado três décadas me ouvindo surtar, nada mais normal que desconfiem que talvez eu esteja ficando louca. Mas ainda falta um pouco para atingir o autocontrole absoluto, ainda não consegui retomar a dieta e eu sei que eu preciso. Nessa intensa contradição humana, ainda procuro um jeitinho de comer uma barrona de chocolate para não entrar em surto. Um leão por dia e eu chego lá. Talvez, o que falta seja realmente retomar a yoga. Nunca fiz aula de yoga, mas no dia que eu cismei que tinha que fazer yoga, comprei um livro que ensina passo a passo, desde o aquecimento e é dividido em iniciante, intermediário e avançado. Cheguei a conseguir praticar vários ásanas do nível avançado (inclusive o headstand), mas sinto que preciso de alguém para me guiar durante a prática. Alguém que não entenda somente de ásanas e para o que eles servem, mas alguém que me leve no coração da cultura oriental e dê sentido a tudo isso, mas enquanto eu não tenho essa oportunidade, deveria mesmo colocar o despertador para tocar uma hora mais cedo nos dias em que não dou aula de manhã, e dedicar-me aos alongamentos e ásanas, do básico para o avançado. Observando os ensinamentos budistas na Internet e percebendo a íntima relação do Budismo com a Yoga, percebi que eu já havia dado um pequeno passo há alguns anos. É preciso retomá-lo.

Outra questão é a alimentação. Eu confio fortemente no poder dos alimentos orgânicos e na adoção de uma alimentação vegetariana. Eu faço isso? Não. Por enquanto está tudo no mundo de Platão. Outro dia, por exemplo, eu fui num rodízio. Eu não sou vegetariana, não consigo, mas acredito bastante nos benefícios de uma dieta livre de carne vermelha. Eu comeria peixe diariamente, se eu pudesse. Salmão, assim, cheio de Ômega 3, quase todos os dias. Já pensou?

Sei de dezenas de atitudes que posso tomar para ter uma vida mais saudável, não somente fisicamente, mas também no que diz respeito à mente. Por exemplo, tudo isso que eu falei. O próximo passo é conhecer um templo budista. Eu não sei explicar o porquê de ter me identificado tão repentinamente com os ensinamentos budistas, mas está realmente acontecendo. Continuo lendo “O livro das religiões” do Jostein Gaarder e tentando entender as motivações de cada uma delas. Continuo acreditando que uns dos caminhos para a paz no mundo é a retirada das fronteiras religiosas. Não é o único, claro, o principal é a caridade, mas por enquanto não vai dar, estamos bem longe mesmo. Acredito fortemente que se soubéssemos dividir, ninguém sofreria escassez, mas enfim, estamos longe disso. Por enquanto. A solução para todos os problemas é atingir a paz mundial (não estou falando da paz mundial de discurso de Miss. É paz mundial de verdade.) Mas para isso, será necessário nascer no coração humano o respeito das diferenças. Parece que ainda estamos bem longe, mas acho que vale a pena continuar acreditando. Já pensou se a humanidade soubesse enxergar numa boa a existência de uma Igreja Católica, ao lado de uma Sinagoga, em frente a um Templo Budista, com um Centro Espírita na esquina e uma Igreja Evangélica na outra, sem que ninguém se “alfinete”? Acho que seria bem legal.

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