Deep Blue


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A Árvore

A Árvore é um ássana do Yoga. É essa posição da figurinha acima. Aprendi a fazer a Árvore sozinha, estudando um livro de Yoga. Pode ser feito por iniciantes, e na verdade, com um pouquinho de concentração não tem segredos. Basta fixar o olhar em um ponto fixo na parede ou no chão e há de funcionar. O problema é que quando faço a Árvore sozinha em casa, eu roubo. Fico mais ou menos perto de alguma coisa aonde posso me equilibrar rapidamente para conseguir manter a posição. Mas isso pode se tornar um problema quando você começa a freqüentar (tire a mão do meu trema) um centro especializado, estende o seu tapetinho no meio da sala e esquece que não tem parede ao seu lado para que você possa “dar uma roubadinha”. Foi engraçado quando fiz a Árvore sozinha na sala de aula pela segunda vez. Eu não consegui me manter na posição e minha mente estava a mil por hora perdida no pensamento “onde foi parar o meu iToken do Itaú?” Que bonito não conseguir controlar a mente e de repente ouvir meu professor (que tem o mesmo nome do meu noivo) falando, “se sua mente voar por aí, pensando em coisas que nada têm a ver com a aula, você vai cair mesmo.” No mesmo momento congelei. Meu professor com quem tenho tanto aprendido ultimamente conseguiu desenvolver a capacidade de ler a minha mente logo na segunda aula! Da próxima vez, prometo visualizar o Osho, olhos semi cerrados e mão unidas ao peito, refletindo sobre a próxima bronca que vai dar na humanidade (só para constar, eu amo o Osho). Aliás, eu deveria pensar nas broncas que minha mente malcriada deveria levar diariamente. Tenho me mantido de boca calada diante do caos, mas desconto tudo em um pote de brigadeiro, daqueles de consistência perfeita para comer de colher. “Amanhã vou andar dez quilômetros antes do Yoga.” Não vou nada. Mas para manter minha árvore não muito capenga, acho que eu deveria mesmo estar magrinha de novo, seguir o Osho, me livrar da angústia que volta com uma certa freqüência. Aquela mesma. A angústia da ausência. Em breve minha árvore vai permanecer de pé, independente do vento, da chuva, do raio. Em breve, será meu Bodhi, a árvore da iluminação de Buda, e não terá dificuldades para crescer e manter seus galhos e tronco erguidos. Em breve estará totalmente controlada. E livre de sofrimento.

Namastê!

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22 de abril, dia do Planeta Água

Somos água. O elemento em maior abundância presente no corpo humano é a água. A água preenche 75% do nosso planeta. Terra, o planeta água. Escrevo esse texto ainda no dia 22 de abril, dia da Terra. Hoje assisti a um documentário a respeito do planeta e a abordagem principal teve foco nos oceanos. Em 2004 eu tive a sorte de ganhar da minha mãe um curso de mergulho com certificação PADI. Mergulhei os quase 18m permitidos pelo órgão e conheci uma minúscula amostra de vida que brota nas profundezas do oceanos. Na verdade, eu não vi muita coisa, mas sou muito grata pelo pouco que vi: anêmonas, peixes coloridos, estrelas-do-mar, corais. Como é linda a vida no nosso planeta. Como é rara. Pesquise a respeito do Sistema Solar. Todos os planetas me fascinam, cada qual pela sua peculiaridade. Mercúrio, por exemplo, parece muito com a lua. Cheio de crateras, durante do dia, sua superfície queima a 450°C e à noite, congela a -100°C. Júpiter não desiste da Grande Mancha Vermelha, o tufão que chega a atingir 400 km/h, Netuno é um lindo planeta azul onde os ventos sopram a 2.000 km/h e Saturno ainda é a majestade do nosso sistema estelar. Esse eu tive a sorte de observá-lo através do telescópio algumas vezes. Momentos que levantaram todos os pêlos do meu braço. O universo é lindo. Mas a vida da forma como conhecemos, só existe na Terra, até onde sabemos. Por isso nos parece rara. Existe um água salgada líquida sob a superfície de Europa, uma lua de gelo em Júpiter, mas ninguém sabe se há ou não vida por lá. A diversidade está bem diante dos nossos olhos, e embora seja raríssima a oportunidade de viajar para o Ártico para ver um urso polar caminhando sobre o gelo – espécie ameaçada em extinção – podemos contar com canais de TV a cabo como National Geographic e a própria Internet para testemunhar o que existe por lá. É uma pena que essa não é uma realidade que atinge todo o mundo. Assim como o urso polas, a água da forma consumível também está em “perigo de extinção” no nosso planeta, e embora dezenas de órgãos que levantem a bandeira vermelha para uma futura escassez, a maioria dos líderes preocupa-se com outros assuntos, como por exemplo, como tirar proveito da vida política ao invés de traçar um plano a respeito do que fazer com o nosso futuro. A verdade é que amo esse planeta. Tenho arrepios quando vejo imagens da Terra feita por satélites. Brinco com o Google Earth “viajando” para o Everest, o Saara, o Ártico, as Cordilheiras, a costa dos países localizados na região do Caribe e meu fascínio não termina nunca. Eu amo mesmo a nossa casa, que abriga milhares de espécies, formações geológicas, raças, cores, climas, vegetações, rios, lagos, oceanos, florestas, cavernas, crateras, praias, desertos, a água em todos os estados, sons e silêncio. Eu gostaria muito que a humanidade abrisse os olhos de forma coletiva em prol da preservação dessa riqueza infinita. Somos o planeta variedade. Somos pequenos, mas uma verdadeira pérola do Sistema Solar que merece todo o respeito e proteção. 4,5 bilhões de anos de muita história. Muita coisa aconteceu na superfície do nosso planeta desses últimos anos. Mas evitar tornar esse presente de Deus um deserto sem vida, vai necessitar de uma urgente mudança de postura das 7 bilhões de cabeças pensantes que habitam nossa casa.


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Somos diamantes brutos

Existe algo muito especial que eu aprendi recentemente. Somos todos lindos. Alguns de nós nascemos lindos. Existem crianças especiais que irradiam luz desde muito pequenas. Conheço uma menininha – que tenho a sorte de ter “adotado” como sobrinha, pois faz parte da família que escolhi com o coração – que por ode passa abre sorrisos. Ela é linda. Sempre foi. Mas há algo de especial nela que desperta nas pessoas um carinho muito espontâneo. Você pode apertá-la, beijá-la, esmagá-la de abraçar tão forte. Ela não reclama e não faz cara feia. Ela aceita o amor vindo de todos. Outras pessoas, porém, nos provocam o sentimento completamente inverso. Desenvolvemos verdadeira aversão a certas pessoas e temos vontade que elas fiquem bem longe de nós. É um sentimento horrível e muito difícil de se controlar. Tem gente que nos provoca esse sentimento de uma maneira tão forte que por vezes, sentimos que a pessoa chegou ao ambiente antes mesmo que possamos notar a sua presença fisicamente. Se você já sentiu isso, não significa que tem superpoderes, ou é dotado de sexto sentido. Significa que assim como eu, você precisa evoluir.

Todos nós precisamos.

Algumas pessoas têm luz própria. Notar essa luz é algo muito peculiar a cada um de nós. Nos identificamos com pessoas na Terra de acordo com a freqüência que nos encontramos. Não é incomum termos amizades duradouras que acabam sem motivo aparente. Mas existe um motivo, sim. Termina a ligação. Em outras palavras, devido a diversos fatos na vida, trocamos de freqüência, ou as pessoas trocam de freqüência e nem sempre conseguimos acompanhá-la e vice-versa. Esse é um dos motivos que nos leva afirmar que manter um mesmo relacionamento ao longo da vida pode ser um enorme desafio. Afinal, quem garante que você e a pessoa quem você escolheu como companhia para seguir a estrada estarão na mesma freqüência durante aproximadamente 40 ou 50 anos?

Quando escolhemos alguém para dividir o caminho, aprendemos a ter um pouco mais de tolerância, afinal, uma ruptura é algo que por vezes, pode ser bastante complicado. Mas como fazer quando se trata de tolerância em relação a pessoas que você tem que conviver, não por escolha, no dia-a-dia ou na família? Não é possível romper laços quando este for o caso. E é muito difícil mesmo. Por vezes, eu queria ter a capa de invisibilidade do Harry Potter para passa despercebida por certas pessoas. E quando me chamam pelo nome, a vontade é de gritar, “não estou!” Mas isso não é possível. Sendo assim, a única solução é enxergar a existência de um diamante bruto dentro de cada um, que a qualquer momento deve ser lapidado. E é preciso lembrar que o tempo de lapidação depende de cada um de nós. Não se apressa a arte. Não se pula etapas de evolução. A prática da tolerância nos faz manter o foco que somos todos diamantes brutos, cada um em um estágio diferente de lapidação. Estamos todos caminhando para um mesmo objetivo, um mesmo propósito. Alguns mostram que têm luz própria logo da segunda infância. Alguns precisam de algumas vidas para atingir isso – o principal motivo da pluralidade da existência. Seja como for, a estrada é a mesma. E sendo assim, somos todos iguais.


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Osho

Algumas palavras mágicas saem de mentes de seres de luz brilhantes pelo amor e são capazes de tocar profundamente uma alma. Agradeço a Deus por ter permitido embarcar nessa viagem da mente fantástica para o Oriente. Tenho recebido só recompensas por aprender quantas ideias cristalinas e saíram de pessoas genuinamente lindas como Osho e  Buddha. Osho é tipo de pessoa que eu gostaria de ter tido a oportunidade de ao menos uma vez, ter olhado no fundo dos olhos e ter o privilégio de aprender só um pouquinho. O mundo é e foi cheio de pessoas lindas! Que elas possam brilhar, sempre!

Namaskar, Osho!


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Perspectiva interior

A partir do momento em que olhar para dentro e ligar-se com você mesmo torna-se viável, é possível perceber o quanto agimos de forma perturbada na maior parte do tempo em que vivemos. Ando aprendendo coisinhas que parecem tão sutis pela natureza de sua simplicidade, mas o suficientemente importante para compreender que passei toda minha vida assim. Perturbada. A gente fala mal, come mal, respira errado, tem o hábito de utilizar palavras negativas no nosso discurso com freqüência e pior, faz isso sem compreender a gravidade do poder de incorporar tudo aquilo como se fizesse parte da natureza de nossas mentes. Acho grave o que fazemos com nós mesmos. O fato é que ultimamente, viver em uma cultura Ocidental nos impede de enxergar qualquer coisa além de iPods, iPads e iPhones. Estamos tão preocupados com o status que traz esse mundo externo que passa despercebida a chance de escutar o próprio coração. Às vezes, literalmente. É como um tambor que leva à calmaria. Tampe os ouvidos e tente.

O silêncio é mesmo algo precioso que pode nos levar a reflexões profundas e compreensão de quem somos e o que fazemos no mundo. Pela primeira vez na minha vida entendi o quanto isso é necessário. Não estou falando de uma autopsicanálise complexa, e sim de uma atitude que nos leva à desaceleração dos pensamentos e a uma percepção mais clara do nosso papel no mundo. Estranho compreender que você passou tanto tempo da sua vida agindo errado com você mesma. Fico feliz, no entanto, que não descobri isso aos 80, e sim, agora mesmo. Então creio que ainda tenho tempo para aparar todas as arestas. Passei todos esses anos da minha vida acreditando que a felicidade seria encontrada em tudo aquilo que é intenso. Grande engano. A felicidade é encontrada em tudo aquilo que faz o oceano da alma aquietar e nos impulsiona a querer permanecer nesse estado até o dia em que deixarmos o mundo físico.

Tente virar de ponta cabeça. Não são necessários muito malabarismos. Faça como uma criança. Ou como um cachorro que resolve deitar de barriga pra cima para ver o mundo virar ao contrário. O que você vê?

‎”Há pensamentos que são orações. Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos.” — Victor Hugo


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Deixar fluir

Sonhei com a minha antiga casa de Botucatu. Às vezes, não é fácil praticar o desapego. Não é raro sonhar com aquela casa. Eu gostava dela. Ainda bem que ela foi vendida, era algo realmente necessário. Mas eu tenho saudades da sala. A sala tinha o pé direito alto e duas portas de vidro, uma de cada lado, que davam passagem para o lado de fora. Em cima de uma das portas, haviam duas janelas que permitiam maior entrada de luz, deixando a sala mais clara. Eu gostava de deitar no sofá e ficar observando as nuvens passarem por lá. Às vezes, dava pra ver a Lua e quando o frio me tirava a coragem de ir lá fora com o telescópio, eu ficava ali olhando a lua passar e o desenho do céu modificar, dando a cada hora, lugar para diferentes constelações. Eu gostava de identificar as poucas que conhecia. Órion, Cão Maior, Cão Menor, Escorpião, Touro, Carina… Quanta paz… E às vezes, meu subconsciente me leva de volta pra lá. Eu sinto tanta falta da paz que eu sentia que chego a ficar angustiada com o sufocamento que São Paulo tem me proporcionado. Eu não gosto de morar aqui. Gosto dos meus cantinhos preferidos, a Livraria Cultura, meu nicho, mas não gosto daqui. Se pudesse iria embora agora. Agora eu não posso, mas um dia, vou poder novamente.

Sei que nada acontece por acaso e há motivos pelos quais eu tenha voltado pra cá, e um deles está bem claro: é um profundo aprendizado. Como todo aprendizado, nada fácil. Me ensinaram que a gente não aprende muita coisa durante uma festa, contando piadas num círculo de amigos. Laços podem até ser renovados assim. Aprendizado já é outra história. A vida nos dá tapa na cara porque merecemos mesmo. Muitas vezes, o motivo nem está na nossa memória consciente, é o karma, então ficamos assim, com essa cara de paisagem que eu ando ultimamente. Essa cara de quem está a ver navios. Talvez eu devesse parar de tentar compreender ou interromper a automutilação da pergunta que não quer calar, “onde foi que eu errei?” e realmente seguir o fluxo. Se eu errei, estou aprendendo, e se não errei, o Grande Livro do Aprendizado do Desprendimento se abriu bem na minha cara e não dá para ignorar que esse é o X da questão. Está aí. É tão óbvio. Talvez eu tenha passado a vida achando que as pessoas que amamos nos pertencem. Como eternas crianças mimadas, sempre reclamamos quando algo nos tira da zona de conforto. Eu tenho um amigo que me disse sabiamente, em 1999, que eu tinha que aprender a ter paciência. Eu achava a palavra “paciência” uma chatice só. Eu tinha medo porque eu não fazia a menor ideia de como lidar com esse negócio de ter paciência. Nos últimos 33 anos eu ignorei tanto a tal da paciência até que um belo dia, a vida resolveu me falar, “ah é? Então toma! Aprende, cara pálida!” E aqui estou, aprendendo a meditar para ter paciência. A renúncia à gritaria, à loucura, ao surto. Eu tive que aprender isso no momento em que eu tinha todo o direito de sair me descabelando como uma louca pela Avenida Paulista, gritando bem alto o nome de tudo que eu queria de volta. Mas então, eu resolvi procurar uma filosofia de vida que pudesse me libertar de todo o sofrimento, já que há coisas que percebi que não posso mudar.

Como se tivesse deitada no sofá da sala na minha antiga casa de Botucatu, estou olhando pela janela do pé direito alto, vendo as constelações passarem. Órion, Cão Maior, Touro. Todas lindas, brilhantes, com luz em abundância para nos inspirar na mansidão da alma. Vou tentar ter paciência, porque sei que tudo tem o seu tempo, sua hora, e há um motivo para isso. Um sábio me ensinou recentemente que nadar contra a correnteza do rio é inútil. So, let it flow.


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Nunca houve na minha vida, preocupação maior do que essa que estou passando agora. Tantas perguntas não respondidas me deixam em cima do muro, incerta se o que estou fazendo é certo ou errado. Essa ausência toda, meu papel, minha função bloqueada, queimada, corrompida. E quando a escolha é do outro, e você percebe que está tudo errado, o que você faz? Ignora a angústia ou luta para reverter algo. A bandeira branca não funcionou. Do contrário, só piorou toda a situação. Dói muito toda essa incerteza. Preciso de luz… De lá de cima…