Deep Blue

Desapego e filho

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Na vida estamos suscetíveis a situações e mudanças para as quais nem sempre estamos preparados, mas com as quais somos obrigados a lidar para seguir o fluxo. A única forma de enfrentarmos fatos que nos trazem decepções é mantermos a mente calma. Demorou dois meses para que eu aprendesse isso, o que não necessariamente significa que eu esteja feliz, nem tampouco que consegui atingir um nível de aceitação total. Estou apenas seguindo o fluxo e muitas vezes, observando meu papel sendo totalmente desfeito e me sentindo muito impotente diante da situação por diversos motivos. Passo os dias agindo de forma natural, como se fosse normal para uma mãe não ver o filho por semanas seguidas, ou vê-lo  por no máximo uma ou duas horas durante esse período. No meio de tudo isso, eu tinha algumas opções:

1. Gritar: Eu gritei. Não resolveu.

2. Conversar com serenidade: Eu conversei com serenidade. Não resolveu.

3. Procurar a Justiça: Isso é o que a maioria faria. Eu não quis submeter meu filho a isso.

4. Buscar paz de espírito. Aqui estou.

Percebi que a única forma de aquietar a mente é buscando algo que realmente me sossegue. Lexotan ou Valium não eram opções plausíveis e por isso eu estou buscando a meditação. E assim, eu descobri que entrar em estado meditativo é algo que realmente requer muito treino e disciplina. A meditação, a yoga, a filosofia budista e os ensinamentos de serenidade de Buda estão intimamente conectados e desde ontem, quando saí da minha primeira sessão de zazen, estou treinando a quietude da mente. Nada fácil. Ainda estou longe de conseguir atingir o estado ideal. Para aumentar o meu desafio, vou ficar sem filho na Páscoa e provavelmente no final de semana seguinte. Justo? Nem um pouco. Mas a verdade é que eu não quero brigar com ninguém. Respeitar as escolhas que ele fez (eu sei, tão novo para fazer escolhas tão importantes) tem me colocado em prova e feito com que eu lembre do dilema eterno da maternidade: “Filhos são criados para o mundo.” Como ele decidiu morar com o pai, o que é menos pior do que se unir a uma facção terrorista aos 10 anos idade, eu me vi obrigada a respeitar a sua decisão. Estranhas manhãs de domingo em que me faz lembrar da época que eu ainda não era mãe. Não tenho que sair da cama, não tenho que mandar ninguém tomar banho, não tenho que me preocupar com café da manhã e nem que a que horas todos decidiram almoçar (como sempre morei com meus pais, essa decisão nunca coube muito a mim, mas quando ele estava envolvida, eu pensava mais sobre o assunto).

Uma fase da minha vida talvez tenha terminado precocemente. Talvez eu tenha poucos episódios semelhantes a esse com ele daqui pra frente. Lição de casa, broncas, tentativas de conversas, ler a agenda da escola, ver o que foi feito na lição de casa. Essa tarefa sempre ficou a cargo da minha mãe que esteve com ele todas as tardes e noites enquanto eu trabalhava. Isso, ela ainda faz. Mas quando chego em casa à noite, do trabalho, ele geralmente já foi e não tenho a oportunidade de “dar uma olhadinha”. E se não foi, aproveito vinte minutos de migalha para fazer algo tosco que não envolva nenhuma conversa mais profunda e desgastante, como por exemplo, jogar video game com ele.

Tudo ainda muito estranho. Mas tento seguir o fluxo, ora fingindo que está tudo bem, ora procurando praticar o desapego, de verdade. Afinal, se ele mesmo escolheu assim, quem sou eu para fazê-lo prisioneiro de algum capricho meu?

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Autor: R.

Buscando viver melhor comigo mesma e com o mundo que me cerca. Procurando compreender qual é a melhor forma de viver, praticando o desapego, tornando o espírito leve e perseguindo a felicidade através da GRATIDÃO, nos dias ensolarados e nos dias cinzentos - meu desafio para a vida. Sempre gostei de escrever. Desde 2002, tive diversos blogs criados e deletados, mas como Fênix ressurge das cinzas, espero que cada novo blog seja definitivo. Esse é um blog sobre tudo que faz parte do meu Universo.

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