Deep Blue

Carta aberta ao meu filho. Para mais ou menos, 2030.

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Imagina se eu escrevesse essa carta hoje, e ela chegasse as suas mãos, somente em 2030. Muitos anos já se passaram desde o dia em que você aceitou o convite de morar fora de casa. Espero que agora, muito mais maduro, você compreenda meu surto inicial. Talvez agora você já seja pai, ou talvez será em breve, e entenderá então, o tamanho da minha angústia e o porquê de estar “de cara feia” por alguns dias em fevereiro de 2012, como você mesmo descreveu. Eu não estava brava. Eu estava triste. Você estava completando 10 anos e indo embora de casa. Talvez agora você compreenda o quão surreal esse fato parece. Imagina só, agora adulto, e enxergando o mundo infantil com outros olhos, ouvir de seu filho, prestes a completar 10 anos, que ele tomou a decisão de ir embora? Eu sei qual seria a sua reação. É capaz que você diria “nem a pau, você está louco?”, e o meu maior medo é imaginar que inconscientemente você pensa que eu não me importo com você, pelo simples fato de ter dito, “se é isso que você quer, tudo bem.” Você fez uma cara engraçada quando eu disse, dois meses depois da sua partida, que eu havia frequentado um templo budista. Só eu sei a batalha interna (e às vezes externa) que aconteceu até que eu tomasse essa decisão. Eu precisava, sim, ficar zen. Porque no começo, entre a sua decisão e as primeiras semanas da sua ausência, tudo que passou dentro de mim foi furacão, tornado e terremoto. Agora passou. Não choro mais no metrô, a caminho do trabalho todas as manhãs. Não fico mais te ligando várias vezes, sei que se precisar mesmo, irá me ligar. E você sabe que eu penso em você freqüentemente. Eu sei que você sabe, mas às vezes eu fico em dúvida e volta um pouco daquela angústia. Eu deixei claro que eu amo você independentemente das circunstâncias, sejam elas quais forem? Às vezes eu duvido um pouco disso, sempre penso que eu poderia ter feito mais, demonstrado mais. E agora reduzem as oportunidades que tenho de mostrar que você é a pessoa mais importante da minha vida, e sempre será, não importa onde você esteja. É essa a minha realidade agora, no começo de 2012. E quero que em 2030, 2060 ou 2080 você tenha a convicção que respeitei a sua decisão porque te respeito como indivíduo com seus próprios desejos e angústias. Era mais fácil aparecer na porta da escola e fazer um drama, dizendo, “volta”, mas eu decidi realmente respeitar a sua decisão. E o mais importante, acima de qualquer outra coisa que exista nesse mundo ou fora dele, eu desejo com todo o meu coração, que você esteja feliz assim. E nada mais importa.

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Autor: R.

Buscando viver melhor comigo mesma e com o mundo que me cerca. Procurando compreender qual é a melhor forma de viver, praticando o desapego, tornando o espírito leve e perseguindo a felicidade através da GRATIDÃO, nos dias ensolarados e nos dias cinzentos - meu desafio para a vida. Sempre gostei de escrever. Desde 2002, tive diversos blogs criados e deletados, mas como Fênix ressurge das cinzas, espero que cada novo blog seja definitivo. Esse é um blog sobre tudo que faz parte do meu Universo.

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