Deep Blue

Tudo alterado

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Às vezes, eu olho para a minha própria vida e tenho a sensação de que alguém alterou a minha realidade. Em que lugar da minha mente foi parar o script que escrevi da minha vida? Comecei escrever aos 10 anos, alterei aos 12, reformulei aos 15, queimei e reformulei aos 18, parei de escrever aos 20, reescrevi aos 23, quando me tornei mãe, joguei fora quando decidi que nunca mais teria outro filho, reescrevi novamente quando mudei de ideia e agora, com o script novamente montado, espero coisas acontecerem. Mas parece que essas coisas estão tão distantes… Eu passei os últimos anos desenhando e perseguindo sonhos. Estou exausta. Enfrento uma alucinação cansativa, constante: cada vez que esses sonhos parecem tão próximos às minhas mãos, algo é despedaçado, some, desintegra. Fico a “ver navios”. Ou nem isso. Fico a ver a selva de pedra da Avenida Paulista, pensando, “o que eu estou fazendo com a minha vida? Esperando?” Até quando? Será que não passou da hora de virar o jogo, ou talvez desistir? No mês que vem completo 34 voltas em torno do sol, a Terra gira, tudo muda, pessoas nascem, pessoas partem e minha vida continua bem morna. Mudo conceitos, mudo de religião, aprendo a viver com menos, pratico o desprendimento, medito, faço ohm, Yoga, zazen, digo que vou para o Nepal ver o Everest e meditar em um templo budista, mudo o comportamento, me observo, me policio, me controlo, mudo os tipos de livro que leio, mudo os valores que dou para todas as coisas. Esforço-me para aumentar o valor das coisas simples, busco a verdadeira razão do amor universal, reduzo a importância que têm as coisas supérfluas, e minha vida continua igual. Tento fazer as pazes com quem me odeia, procuro tentar amar pessoas que eu odeio (sou humana, ainda aprendendo a me ver livre da mesquinharia do ódio), e mesmo assim, o lado de fora permanece estático. Mudei por dentro, sim. Mas a verdade é que é grande a frustração de chegar aos (quase) 34 e achar que não realizei muitas coisas, e que sofri algumas perdas… A ausência do meu filho à noite deixa tum espaço enorme no seu próprio quarto. E nada do que faltava antes acontece para ajudar a preencher pelo menos, um pouquinho desse vazio.

Às vezes me pergunto se estou buscando a felicidade na coisa errada. Talvez, eu devesse mesmo desistir desse caminho e buscar um outro. Porque o meu coração está cansado demais. Diz Buddha que um dos caminhos para alcançar o Nirvana consiste em esvaziar tudo. Vai ver que é isso: talvez, na verdade, a vida está simplesmente removendo o véu para expôr a verdadeira face para a felicidade. E ouvi pessoas dizendo por aí que ela se torna inatingível sem a privação.

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Autor: R.

Buscando viver melhor comigo mesma e com o mundo que me cerca. Procurando compreender qual é a melhor forma de viver, praticando o desapego, tornando o espírito leve e perseguindo a felicidade através da GRATIDÃO, nos dias ensolarados e nos dias cinzentos - meu desafio para a vida. Sempre gostei de escrever. Desde 2002, tive diversos blogs criados e deletados, mas como Fênix ressurge das cinzas, espero que cada novo blog seja definitivo. Esse é um blog sobre tudo que faz parte do meu Universo.

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