Deep Blue


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Documentário sobre as orcas do Sea World (Blackfish)

A orca não é uma baleia. Ela pertence à família dos golfinhos e é uma espécie de cetáceo.

Tilikum – a orca que matou a treinadora do Sea World em 2010, na Flórida, onde estive três vezes na minha vida. Se eu tivesse acesso à informação naquela época, há quase quinze anos, teria evitado tamanho arrependimento. Na ocasião do evento, busquei informações na Internet, busquei respostas para o ocorrido e por muito tempo não obtive nada além de silêncio. Por mais de três anos, senti revolta pela atitude arrogante do Sea World de “abafar o caso” e substituir a tradicional apresentação com a treinadora dentro da água, por outra chamada “Believe”, em que os treinadores não entram no tanque com as orcas, mas a submetem ao mesmo regime de escravidão, no qual elas fazem acrobacias e arrancam aplausos da platéia em troca de peixes. Uma atitude bastante cara de pau do parque que teve a intenção de desmistificar a ideia de que é errado escravizar animais. Porém, há alguns meses me surpreendi com a notícia bombástica do lançamento de um documentário que arranca o véu desnudando os bastidores do Sea World: Blackfish. Ontem obtive acesso a ele. Antes de assistir ao documentário, poderia dizer com prontidão, conhecendo a história tragica de Tilikum e de sua treinadora, que a ideia do Sea World é doente. Ontem, porém, confirmei essa triste conclusão e descobri que o requinte de crueldade praticado pelo parque causa revolta e indignação, desde a captura do animal em seu habitat natural, passando por punições absurdas aos animais que não se comportam de forma esperada no show e crueis separações das mães de seus filhotes. Eles emitem um som alto e triste ao serem separados. Pesquisadores realizaram tomografia computadorizada nos córtex das orcas e descobriram que a área relacionada à emoção é extremamente desenvolvida. A linguagem que as orcas desenvolveram para que possam realizar comunicação entre si é complexa e avançada, e algumas áreas no córtex desses animais são mais desenvolvidas do que o córtex humano. Ou seja, existe a grande possibilidade que elas compreendam ao que foram submetidas: captura, confinamento em cativeiro e escravidão. Prisão. Então compare agora o tamanho do tanque onde vivem – enorme e profundo – com o tamanho do mar. As manifestações de revolta por parte de pessoas públicas na ocasião do ataque,  incluiram uma definição para o evento que julguei muito bem colocada. A apresentadora de um programa lança a seguinte pergunta, “Se você ficasse confinado num tanque por muito tempo, não acha que ficaria um pouco psicótico?”

Entrevistas com os ex-funcionários do Sea World que trabalharam diretamente com as orcas, não me surpreenderam ao revelar intenso amor por esses animais. Que tipo de pessoa não se sentiria intimamente ligado a um animal selvagem capaz de demonstrar afeto com tamanha graça? Um ex-funcionário em particular revelou que foi levado pela ingenuidade da empolgação ao ser convidado para fazer parte da equipe do Sea World. Quem não ficaria orgulhoso de ser convidado para trabalhar num lugar tão lindo cheio de golfinhos, baleias, raias, pinguins, focas, leões marinhos, tubarões e até ursos polares?
Visto de fora, o Sea World é realmente um paraíso.

Visto dos bastidores, e mantendo em foco o incidente de 2010, o parque não passa de um circo aquático cruel, que traz mais um alerta para revermos nosso direito de fazer das criaturas de outras espécies com as quais compartilhamos o planeta, escravos de uma arena doentia que frequentamos para fomentar nossa vaidade e nos servir para nossa própria diversão, um fato que revela que inúmeras vezes temos o sentimento primitivo de achar que nossa complexa capacidade de pensar e criar nos dá um poder doentio sobre todas as outras criaturas do mundo. Somos mesmo a espécie mais evoluída que caminha na superfície desse planeta? Dentre as várias respostas que podemos obter para essa pergubta, Tilikum, a vítima, e não o assassino, foi capaz de nos responder.


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Resolução de Ano Novo. Mas já?

Adoro o fim do ano. Fora dos shoppings. Há algum tempo tempo eu tento me desligar do consumismo natalino desenfreado. O principal motivo é não ser milionária, que pena… Mas falando sério (ou pelo menos tentando) existe também o fator futilidade. O consumismo nos torna fúteis. Aquela adrenalina provocada por chegar até o talo do limite do cartão de crédito não é bonita, mesmo porque geralmente o banco dá de presente ao seu cliente trouxa, o direito de gastar um valor que gira em torno de aproximadamente o quíntuplo do seu salário, O resultado nunca é bonito. Junto à adrenalina causada por testemunhar o valor do seu limite do cartão sendo reduzido a frangalhos, existe a questão “estacionamento de shopping na época do Natal”: um verdadeiro esporte natalino que já foi praticado no mínimo dez vezes por quase todos nós, metropolitanos. Outro dia, eu levei meia hora para conseguir sair do shopping. Assim não dá. Isso não pode ser normal.

Fim de ano, resoluções para o ano que está chegando e lá vem a lista de promessas que com o tempo tornam-se megalomaníacas. Ao relê-las no final do ano seguinte, acabam soando mais ou menos assim: ficar magra suficiente para caber num jeans 32, ser tolerante ao ponto de tonar-me candidata a Dalai Lama feminino, visitar meus parentes que moram Cazaquistão com mais freqüência, começar a limpar as janelas da minha casa com cotonete e falar para o George Clooney desistir de me ligar. Há dezenas de coisas que podem alterar a realidade e fazer com que você acabe abrindo mão de algumas delas, e outras acabam por perder o sentido porque alguma coisa em você mudou.

Por esse motivo, decidi mudar minha forma de criar resoluções para o ano que está chegando. Baseadas em tantas mudanças e aprendizado que tenho enfrentado na minha vida nos últimos anos, reduzi uma lista de infinitas resoluções a apenas uma, que é um desafio mais interessante do que caber no jeans 32:

ESCREVER TODOS OS DIAS PELO MENOS UM MOTIVO PELO QUAL SOU VERDADEIRAMENTE GRATA NA MINHA VIDA.

À lápis, na minha agenda mesmo, no meio dos meus compromissos, prazos e lembretes, no meio da bagunça do dia-a-dia. Nos dias coloridos de sol e nos dias cinzas também. Deve haver sempre algum espaço para a gratidão. Eu me dou esse desafio a partir do dia 1 de Janeiro de 2014. Esse é um compromisso para manter uma atitude mais positiva diante de todas as coisas. Dizem por aí que a atitude de gratidão perante a vida traz resultados mágicos…