Deep Blue


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Nostalgia do que eu não vivi

Como assim? Calma… eu já explico.

A noite vai ser longa. As noites têm sido longas. São tantos pensamentos que vêm me assaltar e levar embora o meu sono, que ultimamente me entregar em cem por cento aos braços de Morfeu tem sido um privilégio. Geralmente mantenho um olho aberto. Às vezes durmo de medo. Às vezes tem quem ria da minha cara. Quando eu finalmente durmo ele me acorda com um pesadelo e um tapa na cara. Essa revolução espiritual não tem sido nada fácil.

Hoje estou com sono, mas a Turma Canabis Sativa está superanimada no ap ao lado, rindo histéricos, ora alcoolizados, ora muito loucos por outra substância qualquer. Enfim, assim meu sono vai de Morfeu a Satanás, e aí eu danço.

Assim, eu escrevo. Escrevo para contar um sentimento muito estranho que tive dentro do “Filé do Moraes”. Existem duas versões do “Filé do Moraes” em São Paulo. Uma delas fica localizada na Alameda Santos e a outra, na Praça Júlio de Mesquita. Outro dia, fomos nós três no tal do Filé do Moraes porque o meu filho queria comer carne no almoço. Ele adora carne. O tradicional restaurante paulistano, localiza-se no Centro, na Praça Júlio de Mesquita, e eu o recomendo porque é muito bom mesmo. Mas eu não vim falar do filé, eu vim falar do meu avô. Como assim? Não sei o que aconteceu, mas aceito qualquer explicação espiritualista para o que vou explicar. Eu nunca fui ao Filé do Moraes com meu avô. Eu tenho certeza disso. Meu avô terminou o trabalho nessa esfera em 2008, depois de passar os  últimos oito anos da sua vida com Alzheimer. Eu não sei explicar o que aconteceu sob nenhuma razão, mas eu entrei no restaurante e lembrei do meu avô. O lugar tinha a cara dele. Não sei exatamente o que, mas o lugar tinha também, a energia dele. Achei muito estranha aquela sensação de entrar num lugar onde parecia que ele havia estado, sem lógica alguma. Me senti bastante confortável e o almoço foi agradável. A “sensação do meu avô” estava tão boa que eu até ficaria lá dentro por alguns minutinhos a mais. Mas enfim, quando voltei pra casa e comentei com a minha mãe que eu havia ido ao “Filé do Moraes”, ela falou, entusiasmada, “o vovô adorava aquele lugar!” Freud explica? Nem a pau. Sim, eu tenho certeza que nunca estive lá com o meu avô. Eu verifiquei a informação com a minha mãe. Estranho. Mais estranho ainda que eu tenho a mesma sensação em outro lugar, bem perto do “Filé do Moraes”. É na doceria “Dulca”. Entro lá, e tenho a mesma sensação de “meu-avô-esteve-aqui” e não tenho nenhuma memória racional de “ter-estado-lá-com-meu-avô”, mesmo porque a Dulca migrou para uma galeria dentro da Rua Vieira de Carvalho, e se meu avô freqüentou a Dulca, foi na época em que a doceria ainda era do lado de fora. Sei lá. Não é a Dulca. É a galeria. Entro lá e penso no meu avô, mesmo sem nunca ter estado lá com ele. Freud explica? Acho que não exatamente Freud…

Com Freud, ou sem Freud, acredito que de fato, temos essas comunicações bastante sutis “com o lado de lá”. Com o meu avô já foram várias, principalmente em sonhos e sensação da presença dele, principalmente na casa da minha avó. Como uma pessoa espiritualista (eu acredito na existência de espíritos. Religião? Estou estudando, lembra?) sei que meu avô pode muito bem “puxar o meu pé enquanto eu estiver dormindo”. Mas partindo de um ser que teve uma ligação tão forte comigo, acredito que ele o faria com toda delicadeza e sorrindo, para não me assustar, e não perturbar o meu sono ou o meu sonho… porque quando ele quer, ele entra mesmo no meu subconsciente e aparece como sempre apareceu ao longo dos trinta anos em que esteve ao meu lado: sempre sorrindo.