Deep Blue


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Mudança de endereço do blog. Por que?

O blog é o mesmo. Os mesmos textos, a mesma pessoa, mas o endereço e o nome mudaram em função da minha recente busca por Deus. Não o Deus pintado pelas religiões – esse Deus é humano, ele não existe. Ele foi desenhado por religiões, doutrinas, culturas, crenças, rituais inventados pelo homem e eternizado em tradições da sociedade, reformulado sob crenças que carregam um Deus pesado que pune, castiga e é muito bravo. Descrito em textos por punhos humanos, alterado ao longo dos tempos por interesses políticos e sociais. Partilhado e disputado entre as religiões, criando discórdia, ódio entre indivíduos de uma mesma raça que deveria estar em constante evolução. Esse Deus não existe. Eu quero o Deus puro. Aquele que nos olha de lá de cima e ri com uma certa paciência da ingenuidade humana. Esse Deus não pertence a religião nenhuma. Ele é o Deus dos católicos, espíritas, evangélicos, judeus, muçulmanos, taoístas, xintoístas, seguidores de correntes religiosas africanas, etc. Mas é justamente por isso que decidi dar início à minha busca tentando compreender um pouquinho de cada pedaço desse Deus que forma uma colcha de retalhos de uma visão geral do mundo. Acredito que cada cultura tenha o direito de enxergar Deus da forma como quiser. Acredito também, que o mundo viveria mais em paz se todas as religiões fossem respeitadas por todo o mundo. Poderia existir, por exemplo, um tempo budista ao lado de uma igreja católica e nenhum sintoma ácido entre eles. Isso levaria a uma união mundial um dia. Acabariam muitas discórdias políticas, guerras, brigas entre grupos e até o racismo. Incluo os ateus nessa visão mundial. Se as pessoas que possuem fé respeitassem a visão ateísta e vice-versa, ocorreria uma contribuição para a paz mundial muito maior.

Saindo do macro para o micro, não posso ignorar o que aconteceu ontem comigo. Tive uma experiência que me contribuiu para essa minha busca, um sinal que precisava. Acho que ainda vou ter vários por aí. Ontem, cheguei em casa muito triste com essa história toda que estou passando. Não morar mais com o meu filho está sendo uma verdadeira prova da busca pela paz, pois tenho momentos de guerras internas (e às vezes externas) intensas. Durante anos, pensar em um segundo filho foi algo que me provocou intensa angústia. Eu não soube por muito tempo se deveria passar por essa experiência novamente ou não, até que acordar para a realidade da aproximação dos 35 anos, e ter uma pessoa ao meu lado com quem valeria a pena passar por isso, me fez ver com clareza um “sim”. Não foi tão fácil assim. Foi uma luta de anos em meio de intensas discussões e superações de traumas passados causados por uma solidão avassaladora. Mas eu consegui enxergar que eu tenho a sorte de ter ao meu lado alguém por quem vale a pena. Construir tudo isso foi um processo longo e demorado, e nesses últimos dias, o desejo que aumentar a minha família encontrou um ponto em comum com minha busca por esse Deus Universal. Eu tenho uma oração diária. Eu ouço todos os dias a música “Life Gods”, do Gilberto Gil e Marisa Monte e tento entrar em sintonia com todas as culturas do mundo, o que me ajuda muito nessa busca e traz muita paz. É um momento em que aprendo a aceitar todas as crenças e aos pouquinhos, tiro da mente o desejo de julgar qualquer uma delas. Foi nesse momento ontem, enquanto chegava em casa, com o fone no ouvido, que tive uma resposta. Estava refletindo sobre toda essa nova realidade de ausência que sinto todos os dias, quando resolvi sentar perto do jardim no playground do meu prédio enquanto eu ouvia”Life Gods”. Enquanto pensava em tudo isso, (e observava uma taturana migrando do muro para a terra), vi que alguém tinha escrito no muro, o nome que eu daria para a minha filha, caso tivesse uma menina: Marina. Eu havia sentado ali, ao lado do nome dela, sem perceber. Talvez, minha próxima criança nem seja uma menina (embora eu até que gostaria). Talvez seja um outro menininho. Mas enquanto eu ouvia os nomes de Deus no fone de ouvido, tentando entender o furacão que havia se tornado a minha vida, estava ali, na minha frente, o nome que eu daria a uma menina. Aquilo foi estranho. Fiquei quase nove minutos (o tempo que dura a música) observando o nome (e a taturana voltando para a terra). Foi um momento de paz antes de outro de guerra. Foi um sinal que recebi de um lugar mais elevado de onde estava. Acredito nisso… Paciência, entendimento e calma, é o que eu preciso agora para compreender isso que estou vivendo e continuar a busca pela paz que tanto preciso.

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Aí eu cismo que…

… que quero conhecer o Nepal. Isso mesmo. Nepal. Da mesma forma que eu havia cismado com a Austrália, até descobrir que lá moram umas baratonas de vinte centímetros. Comecei a pensar duas vezes. Pensei a terceira quando descobri que o mundo selvagem pode invadir as botas de quem habita Sydney e matá-los sem o menor escrúpulo. As aranhas australianas são muito perigosas e têm por hábito, infiltrarem-se em apartamentos, cantinhos, bolsos, roupas, sapatos, aguardando pacientemente a próxima vítima. Medo. Tenho mesmo. E foi nessa ideia recém-formada de busca espiritual que eu resolvi que um dia eu quero ir para o Nepal. Eu quero ver o Everest de perto. Não, eu não tenho a menos pretensão de querer escalar o Everest porque tenho noção do pulmão que tenho. Mesmo não sendo nada adepta à ideia de inalar nicotina, a menos de dois mil metros de altitude, nos Alpes Suíços, subi de bonde e meus lábios ficaram roxos por hipóxia, em 1996, pensei que eu ia desmaiar e dar o maior vexame Suíço, e olha que eu só tinha 18 anos. Eu não vou escalar o Everest aos 33. Em primeiro lugar porque eu não vou tão cedo para o Nepal, e em segundo, porque eu tenho noção da minha força muscular e principalmente, cardio-vascular. Sou muito saudável, porém, esqueça o topo do mundo, eu só gostaria de ver a majestosa montanha de perto. Quem sabe o que tem ali? Deus? Talvez. Talvez ali mesmo eu consiga senti-lo. Eu sei que eu posso entrar em contato com Deus olhando para a Lua, mas no Nepal deve ser diferente. Acredito que Deus está na Natureza, e não dentro de um templo. Não acho que Deus esteja somente no Nepal e não passa nem a pau perto do Pico da Neblina. Não é nada disso. Acho que é possível senti-lo não só observando a Lua, mas nas coisas mais simples, mas eu sinto essa necessidade sentir Deus em algo muito poderoso. Talvez o Nepal seja uma boa ideia. Outra forma de entrar em contato com a Entidade Maior seria pegando uma onda, como aqueles surfistas que têm uma sorte quase maldita de olhar para o lado e descobrir que está sendo acompanhado por um bando de golfinhos sorridentes. Morro de vontade de nadar com um. Onde teria mais Deus do que isso? Talvez, se no Nepal o ar não fosse tão rarefeito, eu gostaria sim de estar sozinha, no topo do Monte Everest, assim, ouvindo o vento congelante, em silêncio. Acho que lá tem isso. Deus. Mas enquanto não posso, desisto por hora das minhas ideias megalomaníacas e continuo buscando-o em lugares mais acessíveis, mesmo porque quem passou mal a menos de dois mil metros no Mont Blanc, não vai sentir muita paz a 8.844 m de altitude. O Nirvana não deve estar por lá, no topo da montanha. Não pra mim. Mas por que não logo ali embaixo?