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Eu e a balança do banheiro

Até junho do ano passado, eu estava magrinha. Magrinha mesmo, de uma forma que irritava muita gente. IMC 21,5. Sabe quando você emagrece demais e as pessoas começam a pegar no seu pé? Era bem por aí. Mas todas as calças entravam com uma facilidade que eu não experimentava desde a minha infância. Eu caminhava todos os dias no Lageado, em Botucatu, e cheguei até a arriscar algumas corridinhas. Eu praticava yoga em casa. Cortei o chocolate da minha vida por muitos meses, e depois que fiquei magra me permitia comer uma barrinha feita exclusivamente pelas mãos do demônio aos sábados e domingos. Estava tão disciplinada que conhecia todos os produtos da Taeq e nem o frio com direito à geada de Botucatu permitiu que eu engordasse novamente. Mas eu estava mais feliz naquela época e esse é um fator imprescindível para quem quer se ver livre da gordura. O que aconteceu? Em primeiro lugar, eu morei sozinha por uma semana em Botucatu. Foi maravilhoso passar aquela semana toda sem mais ninguém em casa. Fez com que eu tivesse certeza que se um dia isso tiver que acontecer, vou encarar o desafio like a lady. Porém, naquela semana, eu fiquei sem geladeira e fogão (pois meus pais e meu filho já tinham mudado para São Paulo novamente. Eu fiquei para concluir o período de aulas do mês de julho na escola em que lecionava). Isso me obrigou a comprar um monte de tranqueira que sobrevivesse fora da geladeira durante uma semana – e eu jurei para o espelho que aquela seria a única vez do ano que eu iria comer uns chocolatinhos a mais. Mas chocolate é um vício, e como todo o vício, basta uma pequena exposição para acabar com todo um período saudável de abstinência. O que aconteceu? Eu já contei aqui: eu voltei pra São Paulo, me frustrei com a realidade e o resultado? Treze quilos mais gorda. Na maioria das vezes em que engordei demais, fiquei muito, mas muito brava comigo comigo mesma. Passei dias frustrada e me odiando. Ontem, eu fiz um trato comigo mesma. Decidi que iria subir na balança depois de meses ignorando-a sob uma condição: me perdoar pelo erro que cometi comigo mesma. E fazer algo para consertá-lo. E foi assim que eu descobri o tamanho, ou melhor, o peso do estrago. Treze quilos. Treze sacos de açúcar. Treze potes de sorvete de um quilo. Vinte e seis barras de chocolate de quinhentos gramas. Foi isso que eu comi? A sensação de culpa é bem amarga mesmo, mas é hora de realmente parar e pensar: não é só a calça que eu adoro que não fecha mais. Estou realmente preocupada com algumas coisas que vão além disso. Como alguém que já passou dos vinte há um tempinho, me pergunto dos perigos invisíveis, como por exemplo, o colesterol e o risco de desenvolver diabetes. Isso me motiva a parar, pensar em procurar um nutricionista e realmente colocar em prática aquilo que a maioria das pessoas promete todo dia 31 de dezembro à meia noite e raramente cumpre: Esse ano eu vou emagrecer (no meu caso, de novo). Pra sempre.

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