Deep Blue


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O direito de não pertencer

Eu pensei em apagar todo o meu blog, como faço tantas vezes, mas não dessa vez. Vou deixar os textos antigos aí mesmo. Não para você que está lendo, mas como um self reminder. Eu mudei. Ainda bem.

Deixar ir quem quer ir… muito cedo aprendi, depois de tanta angústia, a viver em paz com a realidade que me foi imposta há um ano e nove meses. Aprendi que não nos foi dado o direito algum nesse planeta de acorrentar uma alma sequer. Ninguém nos pertence e não pertencemos a ninguém. E a atitude contrária a isso é típica em pessoas não evoluídas espiritualmente. Não, eu também não sou, estou longe de ser um espírito de luz. Às vezes sinto raiva das pessoas, mesmo sabendo que a pior prejudicada nessa história toda, sou eu. Mas a verdade é que uma das formas de aprendermos com os nossos erros é observando de fora uma situação parecida àquela que enfrentamos. Não temos mesmo o direito de tomar ninguém como propriedade. E a partir do momento que absorvemos essa questão na mais total profundidade, abrimos os olhos para uma nova realidade: aquela que nos mostra que ser livre e deixar o outro livre torna a alma mais leve. Sinto-me liberta de correntes que por tantos anos da minha vida (talvez todos até esse momento), me tornou cega. Aprender que a felicidade parte de você mesmo e o que a companhia do outro deve servir apenas como complemento faz com que as estradas que você escolhe seguir na vida sejam mais verdes, mais ensolaradas, menos tempestuosas e repletas de paz.


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Perspectiva interior

A partir do momento em que olhar para dentro e ligar-se com você mesmo torna-se viável, é possível perceber o quanto agimos de forma perturbada na maior parte do tempo em que vivemos. Ando aprendendo coisinhas que parecem tão sutis pela natureza de sua simplicidade, mas o suficientemente importante para compreender que passei toda minha vida assim. Perturbada. A gente fala mal, come mal, respira errado, tem o hábito de utilizar palavras negativas no nosso discurso com freqüência e pior, faz isso sem compreender a gravidade do poder de incorporar tudo aquilo como se fizesse parte da natureza de nossas mentes. Acho grave o que fazemos com nós mesmos. O fato é que ultimamente, viver em uma cultura Ocidental nos impede de enxergar qualquer coisa além de iPods, iPads e iPhones. Estamos tão preocupados com o status que traz esse mundo externo que passa despercebida a chance de escutar o próprio coração. Às vezes, literalmente. É como um tambor que leva à calmaria. Tampe os ouvidos e tente.

O silêncio é mesmo algo precioso que pode nos levar a reflexões profundas e compreensão de quem somos e o que fazemos no mundo. Pela primeira vez na minha vida entendi o quanto isso é necessário. Não estou falando de uma autopsicanálise complexa, e sim de uma atitude que nos leva à desaceleração dos pensamentos e a uma percepção mais clara do nosso papel no mundo. Estranho compreender que você passou tanto tempo da sua vida agindo errado com você mesma. Fico feliz, no entanto, que não descobri isso aos 80, e sim, agora mesmo. Então creio que ainda tenho tempo para aparar todas as arestas. Passei todos esses anos da minha vida acreditando que a felicidade seria encontrada em tudo aquilo que é intenso. Grande engano. A felicidade é encontrada em tudo aquilo que faz o oceano da alma aquietar e nos impulsiona a querer permanecer nesse estado até o dia em que deixarmos o mundo físico.

Tente virar de ponta cabeça. Não são necessários muito malabarismos. Faça como uma criança. Ou como um cachorro que resolve deitar de barriga pra cima para ver o mundo virar ao contrário. O que você vê?

‎”Há pensamentos que são orações. Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos.” — Victor Hugo