Deep Blue


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A carambola do Brian May

Ou estou no stand-by? É assim que eu me sinto. Parei de evoluir. Cinco meses de 2012 se passaram numa velocidade de “quebrar o pescoço”, como se diz em inglês “neck breaking speed”. Acho que minha vida anda com gosto de carambola. Hoje eu comi uma salada de fruta maravilhosa em um dos lugares onde dou aula de inglês, não posso falar o nome do lugar porque apesar de ser uma empresa, também é público e fica aberto para o lazer. Vai que alguém resolve me sequestrar… Não importa, porque a salada de frutas foi muito cara, mas valeu a pena. E era linda. Tinha até estrelinhas de carambola. Carambola, quando não madura, é horrível. Carambola madura não tem gosto de nada. Seja bem-vindo à minha vida, que estava azeda e ficou com gosto de carambola. Sinto até um tom de injustiça nesse meu texto, uma vez que eu tenho a companhia de uma pessoa que não é nada carambola na minha vida. Como uma boa canceriana a um mês e três dias do aniversário – ou seja, já com um pé no inferno astral – é impossível ignorar essa estrela amarela que colocaram na minha salada de fruta. Fiquei ali olhando pra ela, em busca de todos os “por quês” e obviamente não encontrei nenhum. Acho que esse raio de carambola fez com que eu me afastasse um pouco da epopeia espiritual que eu iniciei no começo do ano. Eu cansei, sei que não deveria, mas cansei. Joguei a toalha. Espero que esse sentimento não seja eterno, sinto uma culpa terrível pelo que estou fazendo comigo mesma. Abandonar minha busca temporariamente fez com que meus dias se tornassem difíceis o suficiente para que uma luz vermelha acendesse junto a um alarme, bem parecido com aqueles que são disparados quando um avião entra em velocidade de “stall”. Será que estou “estolando” novamente? Cansada de gritar “Mayday! Mayday!”, estou olhando em direção ao chão, com preguiça de ir até a porta, sair e acionar o pára-quedas. Mas eu vou, “só mais cinco minutinhos!” Calma, eu vou. Tenho o floral, a Yoga, as caminhadas, a dieta que eu retomei (de segunda a sexta), mas eu vou. Espera só mais um pouquinho.

A vida nos bate na cara mesmo. E às vezes nos enfia uma carambola na boca. As mudanças que enfrentei de agosto até hoje foram bruscas demais para que eu me cobre assim, que eu levante e saia andando como se fosse tivesse feito apenas um arranhão e não precisasse de pontos. Há um ano, eu ainda estava angustiada em Botucatu, olhando o presságio se desenrolar na minha frente, brincando de “adivinha o que vem depois?” A vida está gritando na minha cara, “se não sabe brincar, não desça para o play!” É, acho que eu não sei brincar. E enfie essa carambola no meio da fuça.

Hey little babe you’re changing
Babe, are you feeling sore?
Ain’t no use in pretending
You don’t wanna play no more

                                                                           (Brian May)


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Metamorfose

Porque eu sou essa metamorfose ambulante, eu estava dando uma olhada nos templates do WordPress, porque às vezes eu gosto de mudar o visual, achei este e imediatamente lembrei do Lageado. Lageado é a “academia gratuita” onde no segundo semestre de 2010 eu perdi 18 kg fazendo exercícios (parcialmente BEM recuperados, infelizmente). É o um dos campus da Unesp-Botucatu, arborizado, cheio de verde e dotado de uma paisagem maravilhosa. Eu via tucanos no Lageado. Como sinto falta daquele lugar… Foram inúmeras as tentativas de fechar a boca desde agosto de 2011, quando voltei para São Paulo, mas infelizmente nenhuma delas foi bem sucedida. São Paulo é uma cidade cheia de estímulos visuais para quem gosta de comer, e é claro que uma pessoa que volta contra a sua vontade para a sua triste cidade natal, acaba caindo na tentação só de birra. Existe uma doceria em cada cantinho da cidade, e junto com isso meu desequilíbrio emocional e espiritual veio à tona. Eu havia enfrentado um inverno congelante que às vezes chegava a 1°C em Botucatu, mas mesmo assim me contentava com a banana no microondas com adoçante culinário e canela. Mas o apego à cidade recém-adotada, minha casa confortável e o emprego que eu gostava, causou uma avalanche interna muito grande e eu devo ter engolido 13 kg a de neve, porque foi exatamente isso que eu engordei. Para quem estava feliz e sentindo que havia atingido uma zona confortável perto do pico, eu rolei Everest abaixo e continuei rolando até aquele dia em que meu filho deixou de morar em casa. E a palavra do ano é “desapego”. Dizem por aí que a gente só evolui se cai, não é? Pois então, deve ter sido o meu caso. Muitas pessoas contribuíram para minha busca do equilíbrio interno, e uma delas, nem imagina como, mas quando tiver a oportunidade, preciso mesmo contar pra ela. No momento ela está longe. Depois, a minha inspiração culminou na música do Gilberto Gil e a Marisa Monte que se traduz em um mantra que recita o nome de Deus em vários dialetos e religiões, e a partir de então, foram só descobertas. E assim, eu entrei, no começo sem perceber, em conexão com uma filosofia que me fez querer mudar quase tudo que eu havia sido até aquele presente momento, transformar, evoluir, equilibrar, compreender, não brigar, não gritar, somente lutar quando as armas utilizadas fossem inofensivas. Muito difícil no começo, ainda muito difícil às vezes. Renunciar ao poço de fúria que você foi a vida inteira requer muito esforço, e é claro que na minha busca, eu ainda me traio deixando aflorar os meus instintos em algumas situações. Mas eu acredito que iniciamos um aprendizado para isso e eu quero atingir a serenidade que me falta. Um longo caminho que espero ter tempo para percorrer. Paciência é a palavra chave, da qual passei 33 anos fugindo. É chato ter que ter paciência. Mas no meio de tantas mudanças, se eu quiser chegar no meu objetivo, eu preciso de muita paciência. Comigo mesma e com aqueles à minha volta. Aliás, eu escrevi uma frase no Facebook, só de brincadeira, no dia do meu aniversário de 33 anos. Com todo o respeito que tenho por Jesus Cristo, um dos homens mais iluminados e bons que passou por aqui, eu disse: “Jesus Cristo foi crucificado aos 33 anos. Teria chegado a minha vez?” Ninguém me crucificou, e longe de mim comparar a minha vida confortável a de um espírito de alto escalão evolucionário. Ele está bem acima mesmo, afinal, alguém que luta pela paz em tempos bárbaros é realmente muito especial. Mas cá entre nós, essa estranha revolução aconteceu comigo aos 33. Espero então, que 33 seja o meu número de aprendizado.

Amém!

Namastê!