Deep Blue


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Noturna

Perdi o sono. Procurei no Facebook, na sala, na cozinha, no sofá do escritório. Nada. Pedi para a minha gata buscar pra mim, mas ao invés disso, ela mordiscou o meu pé,  me convidando para brincar na madrugada. Meus cães, por outro lado, dormiam profundamente. Tentei caminhar descalça pelo piso frio do meu apartamento, buscando algum tipo de alívio para o calor insuportável do fim de dezembro. Água gelada. Contemplei meu filho que se aproxima dos doze anos à velocidade de causar vertigem. Adormeceu em cima do celular e do tablet. Adolescência na segunda década do século.  Lembrei dos meus últimos textos sobre o desapego. Foi ele quem me ensinou a arte. Difícil e libertadora arte do desapego. Tentei, em vão, ligar meu laptop (escrevo do celular para o meu blog, o que me causa enjoo da vida moderna). O laptop morreu. O carregador morreu depois de agonizar nos últimos dias. Onde pesquisarei técnicas para os próximos desenhos até encontrar novo carregador? Assisti ao sol derretendo a noite. Voltei pra cama, seguida da gata. Assisti ao meu marido despertar e sair para o trabalho. Agradeci por não ter conseguido dormir nas férias. Agarrei meu livro na esperança de arrancar das páginas, o sono.  E confirmei o que já desconfiava. Sou definitivamente noturna.


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Quatro patas de saudade

Hoje eu acordei de madrugada com saudades de você. Não fique preocupada. Estou bem. Estou acostumada, vira e mexe acontece. E então um batalhão de lembranças apareceu por aqui. Sua mania de dormir de barriga pra cima nos dias quentes, o barulhinho que suas patinhas faziam ao caminhar rápido pela casa, sua capacidade de conseguir tudo o que queria pelo simples fato de ser linda, sua mania de querer a família inteira por perto o tempo todo, a birra que você nutria por portas fechadas quando um de seus humanos encontrava-se do outro lado, sua capacidade de tirar Saturno do campo de visão da ocular do meu telescópio (você passava embaixo do tripé, esbarrando nele, tirando o meu objeto de observação do lugar. Não se preocupe, te perdoei todas as vezes). Faz um ano que partiu, e saudade ainda é o que tempo dita quando o assunto é você. Mas não deixo de ser grata, nem por um minuto, por ter tido a honra de sua companhia por quase catorze anos na minha vida. Você é luz agora. É a estrela alfa da constelação de Cão Maior. É a Lua. É lembrança eterna que aquece meu coração. Amo você,  Luna.


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Qual estrada você vai pegar?

Acabei de ler um texto escrito por uma enfermeira que durante muitos anos, cuidou de pacientes em estágio terminal. O objetivo dela foi relatar os maiores arrependimentos que as pessoas carregam ao perceber que chegaram na reta final. E não tem volta. Quando a vida diz “Game Over”, não dá pra ativar a opção “soneca” do seu celular: “Só mais cinco minutinhos renováveis”. Sem pechincha, sem barganha. Mas ler esse texto quando você encontra-se em algum lugar entre os 30 e os 40 proporciona uma certa perspectiva. Há uma luz no fim do túnel que dá o aviso: “Ainda tem tempo, mas não bobeia.” 

A verdade é que a principal questão é uma certa acomodação na qual nos colocamos. Uma aceitação que beira à mediocridade de deixar a vida, assim mesmo como ela está. É claro que o motivo principal que leva cada um de nós a agir assim é invariavelmente o mesmo: dinheiro. A vida é mais fácil pra quem tem dinheiro para realizar os sonhos. É só deixar o barco livre e a maré leva. Mas quem não tem, precisa usar o remo. E às vezes é cansativo. No meio do percurso surgirão alguns obstáculos que devem ser contornados com a maior paciência do Universo. E a melhor forma de contorná-los é com bom humor. Eu conheço a teoria, eu tenho certeza que o bom humor nos momentos difíceis é um bálsamo que nos impulsiona a vencer tudo de ruim e encontrar a superação. Ainda não sou nenhum tipo de Will Smith ambulante que teima em sorrir pra tudo e acreditar que assim, tudo vem. Mas eu acredito na teoria dele. Acredito no que ele diz que energia positiva para viver faz com que tudo de errado possa ser consertado. Acredito quando ele diz que “ser realista é o caminho mais curto para mediocridade”. Sonhar é preciso. É na construção meticulosa dos sonhos que nasce a ideia de como fazer acontecer, a força necessária para correr atrás e manter o foco diante de cada obstáculo. Não importa o que há em volta. O que importa é o objetivo. O foco no sonho abre caminhos e ideias de como alcançá-lo. 

O livre arbítrio proporciona infinitas opções. Você pode escolher a estrada com uma a paisagem mostra apenas as dificuldades. Ou você pode escolher uma outra mais clara e enxergar além, ao longo da qual encontrará obstáculos, porque a vida é assim. Mas a paisagem é mais leve e o objetivo está logo ali no horizonte, É só continuar seguindo.


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O direito de não pertencer

Eu pensei em apagar todo o meu blog, como faço tantas vezes, mas não dessa vez. Vou deixar os textos antigos aí mesmo. Não para você que está lendo, mas como um self reminder. Eu mudei. Ainda bem.

Deixar ir quem quer ir… muito cedo aprendi, depois de tanta angústia, a viver em paz com a realidade que me foi imposta há um ano e nove meses. Aprendi que não nos foi dado o direito algum nesse planeta de acorrentar uma alma sequer. Ninguém nos pertence e não pertencemos a ninguém. E a atitude contrária a isso é típica em pessoas não evoluídas espiritualmente. Não, eu também não sou, estou longe de ser um espírito de luz. Às vezes sinto raiva das pessoas, mesmo sabendo que a pior prejudicada nessa história toda, sou eu. Mas a verdade é que uma das formas de aprendermos com os nossos erros é observando de fora uma situação parecida àquela que enfrentamos. Não temos mesmo o direito de tomar ninguém como propriedade. E a partir do momento que absorvemos essa questão na mais total profundidade, abrimos os olhos para uma nova realidade: aquela que nos mostra que ser livre e deixar o outro livre torna a alma mais leve. Sinto-me liberta de correntes que por tantos anos da minha vida (talvez todos até esse momento), me tornou cega. Aprender que a felicidade parte de você mesmo e o que a companhia do outro deve servir apenas como complemento faz com que as estradas que você escolhe seguir na vida sejam mais verdes, mais ensolaradas, menos tempestuosas e repletas de paz.


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Lista de desejos

– Morar no interior com espaço para acolher alguns bichinhos

– Barulho noturno de grilo

– Cheiro de terra molhada

– O mar de vez em quando

– Sossego

– Paz

– Todas as coisas descomplicadas

– O pôr do sol e as estrelas. Se não for possível todos os dias, pelo menos quase todos

Acho que é só isso.