Deep Blue


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Liberdade e karma

Se você não aprender nessa vida, vai ter que aprender na próxima. Melhor voltar escolada, pra não sofrer por mais trezentas encarnações.

Querer que uma pessoa seja livre não é falta de amor, como quase foi sugerido.

Muito pelo contrário.

Segundo Elizabeth Gilbert:

“Quando o karma de um relacionamento termina, resta apenas o amor. É seguro. Liberte-se.”

Sem mais para a ceia de Natal.


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Eu e o Mar

DEEP_BLUE

Uma breve explicação.

Agora há pouco, tentando desviar meus pensamentos negativos que tenho evitado com tanto esforço nos últimos meses, resolvi me dedicar a breve leitura dos meus blogs preferidos antes de me lançar à tediosa tarefa doméstica que uma pessoa de férias acaba por assumir de forma quase resignada. Encontrei então, o blog muito interessante de uma moça (e lamento por ter fechado o link sem querer, sem antes salvá-lo aos meus favoritos.). Ela descreve um pensamento muito interessante que me ocorreu enquanto eu assistia o “meu” filme do ano (lê-se, minha classificação pessoal),  Gravity 3D. Quando um astronauta observa a Terra do espaço, no silêncio do ambiente cósmico onde o som não se propaga, esquece que a maior parte daquela vastidão azul do oceano aparentemente tão tranquila sob a perspectiva espacial. é, na verdade, composta por ondas repletas de tormento, tempestades e perigo. Eu tenho uma relação de amor, respeito e temor pelo mar. O amor não é preciso explicar. Não acredito na existência de algum ser nesse planeta incapaz de amar o mar. O mar é lindo, e essa é uma verdade incontestável, não é necessário dissertar muito a respeito. O mar tem o poder de promover a paz. Aprendi que a inveja é um sentimento humano bastante primitivo, eu sei, mas quando vejo gaivotas sobrevoando o mar, às vezes conquistando altitudes escandalosas para um ser vivo, asas abertas, carona nas correntes de ar quente, livres, eu não me contenho. Morro de inveja. (Diga-se de passagem, eu morro de inveja de todas as aves de rapina. Peço desculpas por esse sentimento tão egoísta); o temor e o respeito. Eu tinha mais ou menos oito anos quando testemunhei um afogamento na Barra da Tijuca. Na época, o mesmo mar levou embora o meu balde azul. Fui buscar água na beira, logo onde termina o tombo, e ao escapar da minha mão, o balde fugiu de mim a tantos nós de velocidade que eu o assisti atingir uma área onde certamente eu teria morrido afogada em poucos segundos se tivesse ido buscá-lo. O mar da Barra é lindo e agressivo. Esses dois acontecimentos mergulharam tão profundamente no meu inconsciente, de tal forma que me fazem ter sonhos com o mar, mesmo depois de quase trinta anos. Tenho sonhos lindos e assustadores, tão surreais no sentido mais do que pleonástico da palavra, que são de difíceis descrição. Sonho com paredões altos na margem, que se formam de repente, com águas escuras, muito profundas, nas quais eu nado com aflição em busca de terra firme. Sonho com ondas gigantes, com espuma, com barulho do mar. Mas também sonho com mares calmos de águas muito claras, em dias quentes e ensolarados, capazes de trazer a paz que busco todos os dias num período tão curto de tempo enquanto meus olhos permanecem cerrados. São os sonhos que embalam a alma, trazem o calor necessário para o dia, e que ao despertar, fazem lembrar que talvez o meu lugar não seja aqui.


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Documentário sobre as orcas do Sea World (Blackfish)

A orca não é uma baleia. Ela pertence à família dos golfinhos e é uma espécie de cetáceo.

Tilikum – a orca que matou a treinadora do Sea World em 2010, na Flórida, onde estive três vezes na minha vida. Se eu tivesse acesso à informação naquela época, há quase quinze anos, teria evitado tamanho arrependimento. Na ocasião do evento, busquei informações na Internet, busquei respostas para o ocorrido e por muito tempo não obtive nada além de silêncio. Por mais de três anos, senti revolta pela atitude arrogante do Sea World de “abafar o caso” e substituir a tradicional apresentação com a treinadora dentro da água, por outra chamada “Believe”, em que os treinadores não entram no tanque com as orcas, mas a submetem ao mesmo regime de escravidão, no qual elas fazem acrobacias e arrancam aplausos da platéia em troca de peixes. Uma atitude bastante cara de pau do parque que teve a intenção de desmistificar a ideia de que é errado escravizar animais. Porém, há alguns meses me surpreendi com a notícia bombástica do lançamento de um documentário que arranca o véu desnudando os bastidores do Sea World: Blackfish. Ontem obtive acesso a ele. Antes de assistir ao documentário, poderia dizer com prontidão, conhecendo a história tragica de Tilikum e de sua treinadora, que a ideia do Sea World é doente. Ontem, porém, confirmei essa triste conclusão e descobri que o requinte de crueldade praticado pelo parque causa revolta e indignação, desde a captura do animal em seu habitat natural, passando por punições absurdas aos animais que não se comportam de forma esperada no show e crueis separações das mães de seus filhotes. Eles emitem um som alto e triste ao serem separados. Pesquisadores realizaram tomografia computadorizada nos córtex das orcas e descobriram que a área relacionada à emoção é extremamente desenvolvida. A linguagem que as orcas desenvolveram para que possam realizar comunicação entre si é complexa e avançada, e algumas áreas no córtex desses animais são mais desenvolvidas do que o córtex humano. Ou seja, existe a grande possibilidade que elas compreendam ao que foram submetidas: captura, confinamento em cativeiro e escravidão. Prisão. Então compare agora o tamanho do tanque onde vivem – enorme e profundo – com o tamanho do mar. As manifestações de revolta por parte de pessoas públicas na ocasião do ataque,  incluiram uma definição para o evento que julguei muito bem colocada. A apresentadora de um programa lança a seguinte pergunta, “Se você ficasse confinado num tanque por muito tempo, não acha que ficaria um pouco psicótico?”

Entrevistas com os ex-funcionários do Sea World que trabalharam diretamente com as orcas, não me surpreenderam ao revelar intenso amor por esses animais. Que tipo de pessoa não se sentiria intimamente ligado a um animal selvagem capaz de demonstrar afeto com tamanha graça? Um ex-funcionário em particular revelou que foi levado pela ingenuidade da empolgação ao ser convidado para fazer parte da equipe do Sea World. Quem não ficaria orgulhoso de ser convidado para trabalhar num lugar tão lindo cheio de golfinhos, baleias, raias, pinguins, focas, leões marinhos, tubarões e até ursos polares?
Visto de fora, o Sea World é realmente um paraíso.

Visto dos bastidores, e mantendo em foco o incidente de 2010, o parque não passa de um circo aquático cruel, que traz mais um alerta para revermos nosso direito de fazer das criaturas de outras espécies com as quais compartilhamos o planeta, escravos de uma arena doentia que frequentamos para fomentar nossa vaidade e nos servir para nossa própria diversão, um fato que revela que inúmeras vezes temos o sentimento primitivo de achar que nossa complexa capacidade de pensar e criar nos dá um poder doentio sobre todas as outras criaturas do mundo. Somos mesmo a espécie mais evoluída que caminha na superfície desse planeta? Dentre as várias respostas que podemos obter para essa pergubta, Tilikum, a vítima, e não o assassino, foi capaz de nos responder.


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Resolução de Ano Novo. Mas já?

Adoro o fim do ano. Fora dos shoppings. Há algum tempo tempo eu tento me desligar do consumismo natalino desenfreado. O principal motivo é não ser milionária, que pena… Mas falando sério (ou pelo menos tentando) existe também o fator futilidade. O consumismo nos torna fúteis. Aquela adrenalina provocada por chegar até o talo do limite do cartão de crédito não é bonita, mesmo porque geralmente o banco dá de presente ao seu cliente trouxa, o direito de gastar um valor que gira em torno de aproximadamente o quíntuplo do seu salário, O resultado nunca é bonito. Junto à adrenalina causada por testemunhar o valor do seu limite do cartão sendo reduzido a frangalhos, existe a questão “estacionamento de shopping na época do Natal”: um verdadeiro esporte natalino que já foi praticado no mínimo dez vezes por quase todos nós, metropolitanos. Outro dia, eu levei meia hora para conseguir sair do shopping. Assim não dá. Isso não pode ser normal.

Fim de ano, resoluções para o ano que está chegando e lá vem a lista de promessas que com o tempo tornam-se megalomaníacas. Ao relê-las no final do ano seguinte, acabam soando mais ou menos assim: ficar magra suficiente para caber num jeans 32, ser tolerante ao ponto de tonar-me candidata a Dalai Lama feminino, visitar meus parentes que moram Cazaquistão com mais freqüência, começar a limpar as janelas da minha casa com cotonete e falar para o George Clooney desistir de me ligar. Há dezenas de coisas que podem alterar a realidade e fazer com que você acabe abrindo mão de algumas delas, e outras acabam por perder o sentido porque alguma coisa em você mudou.

Por esse motivo, decidi mudar minha forma de criar resoluções para o ano que está chegando. Baseadas em tantas mudanças e aprendizado que tenho enfrentado na minha vida nos últimos anos, reduzi uma lista de infinitas resoluções a apenas uma, que é um desafio mais interessante do que caber no jeans 32:

ESCREVER TODOS OS DIAS PELO MENOS UM MOTIVO PELO QUAL SOU VERDADEIRAMENTE GRATA NA MINHA VIDA.

À lápis, na minha agenda mesmo, no meio dos meus compromissos, prazos e lembretes, no meio da bagunça do dia-a-dia. Nos dias coloridos de sol e nos dias cinzas também. Deve haver sempre algum espaço para a gratidão. Eu me dou esse desafio a partir do dia 1 de Janeiro de 2014. Esse é um compromisso para manter uma atitude mais positiva diante de todas as coisas. Dizem por aí que a atitude de gratidão perante a vida traz resultados mágicos…


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Qual estrada você vai pegar?

Acabei de ler um texto escrito por uma enfermeira que durante muitos anos, cuidou de pacientes em estágio terminal. O objetivo dela foi relatar os maiores arrependimentos que as pessoas carregam ao perceber que chegaram na reta final. E não tem volta. Quando a vida diz “Game Over”, não dá pra ativar a opção “soneca” do seu celular: “Só mais cinco minutinhos renováveis”. Sem pechincha, sem barganha. Mas ler esse texto quando você encontra-se em algum lugar entre os 30 e os 40 proporciona uma certa perspectiva. Há uma luz no fim do túnel que dá o aviso: “Ainda tem tempo, mas não bobeia.” 

A verdade é que a principal questão é uma certa acomodação na qual nos colocamos. Uma aceitação que beira à mediocridade de deixar a vida, assim mesmo como ela está. É claro que o motivo principal que leva cada um de nós a agir assim é invariavelmente o mesmo: dinheiro. A vida é mais fácil pra quem tem dinheiro para realizar os sonhos. É só deixar o barco livre e a maré leva. Mas quem não tem, precisa usar o remo. E às vezes é cansativo. No meio do percurso surgirão alguns obstáculos que devem ser contornados com a maior paciência do Universo. E a melhor forma de contorná-los é com bom humor. Eu conheço a teoria, eu tenho certeza que o bom humor nos momentos difíceis é um bálsamo que nos impulsiona a vencer tudo de ruim e encontrar a superação. Ainda não sou nenhum tipo de Will Smith ambulante que teima em sorrir pra tudo e acreditar que assim, tudo vem. Mas eu acredito na teoria dele. Acredito no que ele diz que energia positiva para viver faz com que tudo de errado possa ser consertado. Acredito quando ele diz que “ser realista é o caminho mais curto para mediocridade”. Sonhar é preciso. É na construção meticulosa dos sonhos que nasce a ideia de como fazer acontecer, a força necessária para correr atrás e manter o foco diante de cada obstáculo. Não importa o que há em volta. O que importa é o objetivo. O foco no sonho abre caminhos e ideias de como alcançá-lo. 

O livre arbítrio proporciona infinitas opções. Você pode escolher a estrada com uma a paisagem mostra apenas as dificuldades. Ou você pode escolher uma outra mais clara e enxergar além, ao longo da qual encontrará obstáculos, porque a vida é assim. Mas a paisagem é mais leve e o objetivo está logo ali no horizonte, É só continuar seguindo.


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O direito de não pertencer

Eu pensei em apagar todo o meu blog, como faço tantas vezes, mas não dessa vez. Vou deixar os textos antigos aí mesmo. Não para você que está lendo, mas como um self reminder. Eu mudei. Ainda bem.

Deixar ir quem quer ir… muito cedo aprendi, depois de tanta angústia, a viver em paz com a realidade que me foi imposta há um ano e nove meses. Aprendi que não nos foi dado o direito algum nesse planeta de acorrentar uma alma sequer. Ninguém nos pertence e não pertencemos a ninguém. E a atitude contrária a isso é típica em pessoas não evoluídas espiritualmente. Não, eu também não sou, estou longe de ser um espírito de luz. Às vezes sinto raiva das pessoas, mesmo sabendo que a pior prejudicada nessa história toda, sou eu. Mas a verdade é que uma das formas de aprendermos com os nossos erros é observando de fora uma situação parecida àquela que enfrentamos. Não temos mesmo o direito de tomar ninguém como propriedade. E a partir do momento que absorvemos essa questão na mais total profundidade, abrimos os olhos para uma nova realidade: aquela que nos mostra que ser livre e deixar o outro livre torna a alma mais leve. Sinto-me liberta de correntes que por tantos anos da minha vida (talvez todos até esse momento), me tornou cega. Aprender que a felicidade parte de você mesmo e o que a companhia do outro deve servir apenas como complemento faz com que as estradas que você escolhe seguir na vida sejam mais verdes, mais ensolaradas, menos tempestuosas e repletas de paz.