Deep Blue


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Metamorfose

Porque eu sou essa metamorfose ambulante, eu estava dando uma olhada nos templates do WordPress, porque às vezes eu gosto de mudar o visual, achei este e imediatamente lembrei do Lageado. Lageado é a “academia gratuita” onde no segundo semestre de 2010 eu perdi 18 kg fazendo exercícios (parcialmente BEM recuperados, infelizmente). É o um dos campus da Unesp-Botucatu, arborizado, cheio de verde e dotado de uma paisagem maravilhosa. Eu via tucanos no Lageado. Como sinto falta daquele lugar… Foram inúmeras as tentativas de fechar a boca desde agosto de 2011, quando voltei para São Paulo, mas infelizmente nenhuma delas foi bem sucedida. São Paulo é uma cidade cheia de estímulos visuais para quem gosta de comer, e é claro que uma pessoa que volta contra a sua vontade para a sua triste cidade natal, acaba caindo na tentação só de birra. Existe uma doceria em cada cantinho da cidade, e junto com isso meu desequilíbrio emocional e espiritual veio à tona. Eu havia enfrentado um inverno congelante que às vezes chegava a 1°C em Botucatu, mas mesmo assim me contentava com a banana no microondas com adoçante culinário e canela. Mas o apego à cidade recém-adotada, minha casa confortável e o emprego que eu gostava, causou uma avalanche interna muito grande e eu devo ter engolido 13 kg a de neve, porque foi exatamente isso que eu engordei. Para quem estava feliz e sentindo que havia atingido uma zona confortável perto do pico, eu rolei Everest abaixo e continuei rolando até aquele dia em que meu filho deixou de morar em casa. E a palavra do ano é “desapego”. Dizem por aí que a gente só evolui se cai, não é? Pois então, deve ter sido o meu caso. Muitas pessoas contribuíram para minha busca do equilíbrio interno, e uma delas, nem imagina como, mas quando tiver a oportunidade, preciso mesmo contar pra ela. No momento ela está longe. Depois, a minha inspiração culminou na música do Gilberto Gil e a Marisa Monte que se traduz em um mantra que recita o nome de Deus em vários dialetos e religiões, e a partir de então, foram só descobertas. E assim, eu entrei, no começo sem perceber, em conexão com uma filosofia que me fez querer mudar quase tudo que eu havia sido até aquele presente momento, transformar, evoluir, equilibrar, compreender, não brigar, não gritar, somente lutar quando as armas utilizadas fossem inofensivas. Muito difícil no começo, ainda muito difícil às vezes. Renunciar ao poço de fúria que você foi a vida inteira requer muito esforço, e é claro que na minha busca, eu ainda me traio deixando aflorar os meus instintos em algumas situações. Mas eu acredito que iniciamos um aprendizado para isso e eu quero atingir a serenidade que me falta. Um longo caminho que espero ter tempo para percorrer. Paciência é a palavra chave, da qual passei 33 anos fugindo. É chato ter que ter paciência. Mas no meio de tantas mudanças, se eu quiser chegar no meu objetivo, eu preciso de muita paciência. Comigo mesma e com aqueles à minha volta. Aliás, eu escrevi uma frase no Facebook, só de brincadeira, no dia do meu aniversário de 33 anos. Com todo o respeito que tenho por Jesus Cristo, um dos homens mais iluminados e bons que passou por aqui, eu disse: “Jesus Cristo foi crucificado aos 33 anos. Teria chegado a minha vez?” Ninguém me crucificou, e longe de mim comparar a minha vida confortável a de um espírito de alto escalão evolucionário. Ele está bem acima mesmo, afinal, alguém que luta pela paz em tempos bárbaros é realmente muito especial. Mas cá entre nós, essa estranha revolução aconteceu comigo aos 33. Espero então, que 33 seja o meu número de aprendizado.

Amém!

Namastê!

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Mudança de endereço do blog. Por que?

O blog é o mesmo. Os mesmos textos, a mesma pessoa, mas o endereço e o nome mudaram em função da minha recente busca por Deus. Não o Deus pintado pelas religiões – esse Deus é humano, ele não existe. Ele foi desenhado por religiões, doutrinas, culturas, crenças, rituais inventados pelo homem e eternizado em tradições da sociedade, reformulado sob crenças que carregam um Deus pesado que pune, castiga e é muito bravo. Descrito em textos por punhos humanos, alterado ao longo dos tempos por interesses políticos e sociais. Partilhado e disputado entre as religiões, criando discórdia, ódio entre indivíduos de uma mesma raça que deveria estar em constante evolução. Esse Deus não existe. Eu quero o Deus puro. Aquele que nos olha de lá de cima e ri com uma certa paciência da ingenuidade humana. Esse Deus não pertence a religião nenhuma. Ele é o Deus dos católicos, espíritas, evangélicos, judeus, muçulmanos, taoístas, xintoístas, seguidores de correntes religiosas africanas, etc. Mas é justamente por isso que decidi dar início à minha busca tentando compreender um pouquinho de cada pedaço desse Deus que forma uma colcha de retalhos de uma visão geral do mundo. Acredito que cada cultura tenha o direito de enxergar Deus da forma como quiser. Acredito também, que o mundo viveria mais em paz se todas as religiões fossem respeitadas por todo o mundo. Poderia existir, por exemplo, um tempo budista ao lado de uma igreja católica e nenhum sintoma ácido entre eles. Isso levaria a uma união mundial um dia. Acabariam muitas discórdias políticas, guerras, brigas entre grupos e até o racismo. Incluo os ateus nessa visão mundial. Se as pessoas que possuem fé respeitassem a visão ateísta e vice-versa, ocorreria uma contribuição para a paz mundial muito maior.

Saindo do macro para o micro, não posso ignorar o que aconteceu ontem comigo. Tive uma experiência que me contribuiu para essa minha busca, um sinal que precisava. Acho que ainda vou ter vários por aí. Ontem, cheguei em casa muito triste com essa história toda que estou passando. Não morar mais com o meu filho está sendo uma verdadeira prova da busca pela paz, pois tenho momentos de guerras internas (e às vezes externas) intensas. Durante anos, pensar em um segundo filho foi algo que me provocou intensa angústia. Eu não soube por muito tempo se deveria passar por essa experiência novamente ou não, até que acordar para a realidade da aproximação dos 35 anos, e ter uma pessoa ao meu lado com quem valeria a pena passar por isso, me fez ver com clareza um “sim”. Não foi tão fácil assim. Foi uma luta de anos em meio de intensas discussões e superações de traumas passados causados por uma solidão avassaladora. Mas eu consegui enxergar que eu tenho a sorte de ter ao meu lado alguém por quem vale a pena. Construir tudo isso foi um processo longo e demorado, e nesses últimos dias, o desejo que aumentar a minha família encontrou um ponto em comum com minha busca por esse Deus Universal. Eu tenho uma oração diária. Eu ouço todos os dias a música “Life Gods”, do Gilberto Gil e Marisa Monte e tento entrar em sintonia com todas as culturas do mundo, o que me ajuda muito nessa busca e traz muita paz. É um momento em que aprendo a aceitar todas as crenças e aos pouquinhos, tiro da mente o desejo de julgar qualquer uma delas. Foi nesse momento ontem, enquanto chegava em casa, com o fone no ouvido, que tive uma resposta. Estava refletindo sobre toda essa nova realidade de ausência que sinto todos os dias, quando resolvi sentar perto do jardim no playground do meu prédio enquanto eu ouvia”Life Gods”. Enquanto pensava em tudo isso, (e observava uma taturana migrando do muro para a terra), vi que alguém tinha escrito no muro, o nome que eu daria para a minha filha, caso tivesse uma menina: Marina. Eu havia sentado ali, ao lado do nome dela, sem perceber. Talvez, minha próxima criança nem seja uma menina (embora eu até que gostaria). Talvez seja um outro menininho. Mas enquanto eu ouvia os nomes de Deus no fone de ouvido, tentando entender o furacão que havia se tornado a minha vida, estava ali, na minha frente, o nome que eu daria a uma menina. Aquilo foi estranho. Fiquei quase nove minutos (o tempo que dura a música) observando o nome (e a taturana voltando para a terra). Foi um momento de paz antes de outro de guerra. Foi um sinal que recebi de um lugar mais elevado de onde estava. Acredito nisso… Paciência, entendimento e calma, é o que eu preciso agora para compreender isso que estou vivendo e continuar a busca pela paz que tanto preciso.