Deep Blue


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BBB e minha opinião nada sutil a respeito

De tempos em tempos eu mostro as garras e exponho minha opinião nada educada a respeito de um assunto qualquer. Por exemplo, há dias tenho trabalhado em um texto sobre a Bruna Surfistinha que nunca saiu. Simplesmente não consigo concluir. Vocês sabem muito bem o por quê. A Raquel (o nome dela não é Bruna) tem uma vida tão medíocre que não consigo encontrar conteúdo suficiente para expôr a minha revolta ao ver uma puta tornando-se tão popular e ganhando fama e dinheiro nesse país de cultura analfabeta, que passa o domingo prostrado num sofá, na frente da TV assistindo às bundas rebolantes do Faustão. Eu odeio quase tudo que a TV brasileira nos oferece. Por que a Globo não promove mais documentários a respeito do meio ambiente como o que eu assisti no Globo Repórter há algumas semanas? Pra que tantas novelinhas fúteis, tantos atores e atrizes que viram fósseis fazendo as mesmas piadinhas numa emissora que pouco tem a oferecer em termos de conteúdo? E para piorar, o BBB existe. Que vergonha eu tenho do BBB. Esse reality show idiota que faz milhões de panacas perderem horas de conversas interessantes, leitura, sono, para assistir ao BBB. Eu já tentei lançar a campanha, “na hora do BBB, desligue a TV e faça sexo. É bem mais divertido.” Não pegou. O povo não gosta de transar. O povo não gosta tanto de assistir a um documentário sobre astronomia, bichos exóticos na Tasmânia, ler um livro, jogar um jogo, aprender algo interessante na Internet, conversar com um amigo, sair a pé e ir até a padaria tomar um sorvete numa noite quente. O povo prefere assistir ao BBB. É bem mais excitante. E no dia seguinte, você chega no trabalho, e enquanto está preparando o seu dia para mais uma rotina, um colega bate à porta da sua sala e pergunta, “e aí? Viu quem foi eliminado do BBB ontem?” E quando você diz, “eu não assisto ao BBB”, seu coleguinha te analisa com olhos surpresos, como se estivesse diante de um ET com número ímpar de patas que acabou de pousar sua nave naquele recinto e provavelmente não tem a menor ideia do porquê de ter vindo à Terra, se não para assistir ao BBB. Eu não tenho a pretensão de dar a esse texto o tom de “escritora intelectual”, primeiramente porque não sou mesmo uma escritora, apesar de ter cursado Letras no Ensino Superior e ter adotado esse hobby bastante amador, e muito menos intelectual, porque dormi na quinta página de todos os livros de José de Alencar que o colégio e a faculdade me obrigaram ler e gosto dos seriados da Universal. Sou muito seletiva e chata para leitura. Só leio o que realmente quero. Não sou viciada em Clarice Lispector, jogo The Sims no Facebook e falo palavrão, passo épocas adotando “monotemas” literários (já li três livros seguidos da Marian Keyes, porque cismei com a irlandesa, quase todos do Dan Brown pelo mesmo motivo, três livros de autores diferentes que abordavam o Nazismo). Mas por favor, me poupe da desgraça global do BBB e da sua tentativa de emburrecimento em massa. O BBB é uma forma de gerar desculpa para traçar perfil psicológico (fofocar) de pessoas que você não conhece e que não farão a menor diferença na sua vida. No máximo, você terá acesso à bunda com photoshop na Playboy da gostosa que saiu do joguinho imbecil porque foi vítima de uma armação que fizeram contra ela durante o “jogo”. Alguns virarão astros de outros programas emburrecedores, farão plásticas, terão milhares de fãs. E você? Terá perdido horas de sexo, sorvete, risadas, beijos, filmes e capítulos de livros e músicas interessantes, assistindo aos seus próprios neurônios tentando desesperadamente escapar pela orelha, e ouvindo a voz do Pedro Bial. Faça-me o favor…  Vá ler um livro, Brasil!

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