Deep Blue


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Pra lá de Bagdá

Você – professor – percebe que mal voltou de férias e já pegou o trem bala quando resolve elaborar a atividade inteira de uma das aulas do dia seguinte no chuveiro. Foi mais ou menos assim: cheguei em casa revoltada por ter pago trinta reais do meu salário fabricado quase no tapa no estacionamento, de TPM, fiz um wrap meio light, tomei um copo de leite e fui tomar banho. Claro que uma pessoa que tem trabalho das sete às vinte e duas não teve tempo de lavar a camiseta do uniforme, e portanto pendurei cuidadosamente a camiseta no corrimão para reciclagem. Que vergonha. Não tenho forças para acordar às três horas da manhã e lavar a minha roupa, o que significa que o dia que “o sonho da casa própria casa se concretizar” (baú do Silvio? Portas da Esperança? De onde veio essa expressão mesmo), serei uma péssima dona de casa. Graças a Deus, porque eu não nasci pra isso mesmo. Mesmo com a fome de leão que estava, por não ter passado as últimas semanas como de costume – preenchendo o meu vazio interior com chocolate – fiz a caridade de dividir o meu wrap light, com peito de peru e requeijão light com o ser marrom de vão livre (daschund) que abanava o rabo com os seus olhos magros de uma cachorra anêmica (é assim que ela se vê. Ela é gorda). Logo em seguida, peguei o DVD do filme Up (o melhor filme Disney-Pixar) para preparar a atividade para a minha aluna. E como alguém que não fez mais nada além de trabalhar das sete às vinte e duas, tomei banho com o meu laptop virtual cerebral ligado, e digitei toda a atividade na minha cabeça. É claro que amanhã eu vou descobrir que meu HD com capacidade 1,5 (Tico e Te…) deu aquele pau e toda a inspiração para trabalhar em cima da história de Sr. Fredericksen, Russel e Dug – o cão mais simpático de desenhos animados de todos os tempos – foi pelo ralo enquanto eu tomava banho. Não faz mal, com um pouco de sorte e esforço, ela vai voltar.

Ah, sim, os livros: terminei de ler Através do Espelho de Jostein Gaarder. É uma viagem maravilhosa na história do “por que?”, “para que?” e “será?”. Vale a pena. É um daqueles livros que você lê bem rapidinho e se apaixona pela história, da mesma forma como “O Velho e o Mar”. Agora tenho uma fila boa e vai rolar uma disputa para saber quem vem primeiro, mas acredito que será “Não contem com o  fim do livro”, de Humberto Eco. Os outros da fila são “Flush, memórias de um cão”, de Virginia Woolf e “Em defesa de Israel” de Alan Dershowitz. Mas se você tiver alguma outra sugestão, por favor, é só colocar aqui. Será muito bem vinda.

São treze minutos do dia 19 de janeiro. Daqui a poucas horas eu levanto e reinicio tudo. Então é preciso tentar desligar os HDs aqui – do laptop e o meu próprio HD porque estou pra lá de Bagdá. E falando nisso, você leu “De Bagdá, com muito amor” de Jay Kopelman?