Deep Blue


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Obrigada, 2013.

Adeus, ano, você envelheceu. A partir da zero hora de hoje, já não mais servirá.

Risos e lágrimas, frustrações e pequenas conquistas. Não foi um ano tão fácil assim. Mas foi o ano da superação das tristezas e eu agradeço. Agradeço pela oportunidade de iniciar 2014 mais leve, mais sábia, enxergando a vida sob uma perspectiva tão diferente. Obrigada por trazer reencontros e paixão pelo desenho. Obrigada por despertar novamente, a arte de brincar com as palavras. Ainda tenho muito o que aprender, eu sei, mas que eu não abandone jamais o hábito de manter-me focada na leitura e produção de textos.  Obrigada por meus amigos, meu amor, minha família. Obrigada por me lembrar que existe uma única pessoa em quem devo me apoiar na estrada da vida: eu mesma. Obrigada por me ensinar a arte do desapego, e perdoe-me pelas malcriações dos momentos de frustração. Obrigada pela oportunidade de voltar ao antigo emprego, que abandonei oito anos antes, com profundo arrependimento. Uma segunda chance é sempre um enorme presente. Acima de tudo, obrigada pelo meu pequeno zoológico composto de dois cães e uma gata, todos maravilhosos. Eles foram meu maior presente em 2013, e essenciais por me ajudar a superar uma das maiores perdas na minha vida. Não vou prometer mil coisas. Não vou prometer frequentar academia cinco vezes por semana, abandonar o chocolate, e virar monge budista. A única coisa que prometo para 2014 é praticar a gratidão.

Feliz Ano Novo, para você que por aqui passou!

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Noturna

Perdi o sono. Procurei no Facebook, na sala, na cozinha, no sofá do escritório. Nada. Pedi para a minha gata buscar pra mim, mas ao invés disso, ela mordiscou o meu pé,  me convidando para brincar na madrugada. Meus cães, por outro lado, dormiam profundamente. Tentei caminhar descalça pelo piso frio do meu apartamento, buscando algum tipo de alívio para o calor insuportável do fim de dezembro. Água gelada. Contemplei meu filho que se aproxima dos doze anos à velocidade de causar vertigem. Adormeceu em cima do celular e do tablet. Adolescência na segunda década do século.  Lembrei dos meus últimos textos sobre o desapego. Foi ele quem me ensinou a arte. Difícil e libertadora arte do desapego. Tentei, em vão, ligar meu laptop (escrevo do celular para o meu blog, o que me causa enjoo da vida moderna). O laptop morreu. O carregador morreu depois de agonizar nos últimos dias. Onde pesquisarei técnicas para os próximos desenhos até encontrar novo carregador? Assisti ao sol derretendo a noite. Voltei pra cama, seguida da gata. Assisti ao meu marido despertar e sair para o trabalho. Agradeci por não ter conseguido dormir nas férias. Agarrei meu livro na esperança de arrancar das páginas, o sono.  E confirmei o que já desconfiava. Sou definitivamente noturna.


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Quatro patas de saudade

Hoje eu acordei de madrugada com saudades de você. Não fique preocupada. Estou bem. Estou acostumada, vira e mexe acontece. E então um batalhão de lembranças apareceu por aqui. Sua mania de dormir de barriga pra cima nos dias quentes, o barulhinho que suas patinhas faziam ao caminhar rápido pela casa, sua capacidade de conseguir tudo o que queria pelo simples fato de ser linda, sua mania de querer a família inteira por perto o tempo todo, a birra que você nutria por portas fechadas quando um de seus humanos encontrava-se do outro lado, sua capacidade de tirar Saturno do campo de visão da ocular do meu telescópio (você passava embaixo do tripé, esbarrando nele, tirando o meu objeto de observação do lugar. Não se preocupe, te perdoei todas as vezes). Faz um ano que partiu, e saudade ainda é o que tempo dita quando o assunto é você. Mas não deixo de ser grata, nem por um minuto, por ter tido a honra de sua companhia por quase catorze anos na minha vida. Você é luz agora. É a estrela alfa da constelação de Cão Maior. É a Lua. É lembrança eterna que aquece meu coração. Amo você,  Luna.


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La Mer

Sei que em algum momento, na noite passada, sonhei com o mar. O dia estava quente, o mar estava calmo e muito claro. Como piscina.

Novamente.

Ele oscila nos meus sonhos como. Instável como ele mesmo é.

Alguma coisa está acontecendo.


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Liberdade e karma

Se você não aprender nessa vida, vai ter que aprender na próxima. Melhor voltar escolada, pra não sofrer por mais trezentas encarnações.

Querer que uma pessoa seja livre não é falta de amor, como quase foi sugerido.

Muito pelo contrário.

Segundo Elizabeth Gilbert:

“Quando o karma de um relacionamento termina, resta apenas o amor. É seguro. Liberte-se.”

Sem mais para a ceia de Natal.


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Eu e o Mar

DEEP_BLUE

Uma breve explicação.

Agora há pouco, tentando desviar meus pensamentos negativos que tenho evitado com tanto esforço nos últimos meses, resolvi me dedicar a breve leitura dos meus blogs preferidos antes de me lançar à tediosa tarefa doméstica que uma pessoa de férias acaba por assumir de forma quase resignada. Encontrei então, o blog muito interessante de uma moça (e lamento por ter fechado o link sem querer, sem antes salvá-lo aos meus favoritos.). Ela descreve um pensamento muito interessante que me ocorreu enquanto eu assistia o “meu” filme do ano (lê-se, minha classificação pessoal),  Gravity 3D. Quando um astronauta observa a Terra do espaço, no silêncio do ambiente cósmico onde o som não se propaga, esquece que a maior parte daquela vastidão azul do oceano aparentemente tão tranquila sob a perspectiva espacial. é, na verdade, composta por ondas repletas de tormento, tempestades e perigo. Eu tenho uma relação de amor, respeito e temor pelo mar. O amor não é preciso explicar. Não acredito na existência de algum ser nesse planeta incapaz de amar o mar. O mar é lindo, e essa é uma verdade incontestável, não é necessário dissertar muito a respeito. O mar tem o poder de promover a paz. Aprendi que a inveja é um sentimento humano bastante primitivo, eu sei, mas quando vejo gaivotas sobrevoando o mar, às vezes conquistando altitudes escandalosas para um ser vivo, asas abertas, carona nas correntes de ar quente, livres, eu não me contenho. Morro de inveja. (Diga-se de passagem, eu morro de inveja de todas as aves de rapina. Peço desculpas por esse sentimento tão egoísta); o temor e o respeito. Eu tinha mais ou menos oito anos quando testemunhei um afogamento na Barra da Tijuca. Na época, o mesmo mar levou embora o meu balde azul. Fui buscar água na beira, logo onde termina o tombo, e ao escapar da minha mão, o balde fugiu de mim a tantos nós de velocidade que eu o assisti atingir uma área onde certamente eu teria morrido afogada em poucos segundos se tivesse ido buscá-lo. O mar da Barra é lindo e agressivo. Esses dois acontecimentos mergulharam tão profundamente no meu inconsciente, de tal forma que me fazem ter sonhos com o mar, mesmo depois de quase trinta anos. Tenho sonhos lindos e assustadores, tão surreais no sentido mais do que pleonástico da palavra, que são de difíceis descrição. Sonho com paredões altos na margem, que se formam de repente, com águas escuras, muito profundas, nas quais eu nado com aflição em busca de terra firme. Sonho com ondas gigantes, com espuma, com barulho do mar. Mas também sonho com mares calmos de águas muito claras, em dias quentes e ensolarados, capazes de trazer a paz que busco todos os dias num período tão curto de tempo enquanto meus olhos permanecem cerrados. São os sonhos que embalam a alma, trazem o calor necessário para o dia, e que ao despertar, fazem lembrar que talvez o meu lugar não seja aqui.